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<body class="calibre">
<p class="calibre2">cometendo pecado". É o seu hábito de vida, não simplesmente um ato. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Procede do diabo. </b> Satanás é a fonte desses desejos de pecado. "Ações habituais são novamente o índice do caráter, e aqui, da fonte" (Wuest, pág. 148,149). <b class="calibre1">Filho de Deus. </b> Esta é a primeira vez que João usa este título na epístola, e ele expressa particularmente dignidade e autoridade. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Destruir</b>. Literalmente, <i class="calibre3">desamarrar</i>. Cristo na Sua morte desfez os laços com os quais as obras do diabo se mantinham unidas. Satanás já não pode apresentar uma fronteira sólida em seus ataques contra os cristãos. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">9. É nascido. </b> Particípio perfeito – ação passada que resulta em continuidade no presente – "foi nascido e continua nascido" (cons. 2:29; 4:7; 5:1, 4,18). <b class="calibre1">Não vive na prática de pecado ... não pode viver </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">pecando. </b> Tempos presentes, indicando novamente pecado habitual. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Semente</b>. O princípio da vida divina concedida ao que é nascido de Deus (Jo. 1:13; II Pe. 1:4). Isto impossibilita o cristão de viver habitualmente no pecado. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">10. Nisto</b> volta-se para os versículos precedentes, embora o mesmo ensino seja reiterado na última parte do versículo 10; isto é, "nesta vida de vitória sobre o pecado ... " <b class="calibre1">Os filhos de Deus ... os filhos do diabo. </b> Este é o único lugar no N.T. onde estas duas frases estão lado a lado (cons. Atos 13:10; Ef. 2:3). Toda a humanidade pertence, ao que parece, 1 a uma destas duas famílias; e até que alguém aceite Cristo, ele é filho do diabo (Ef. 2:3 e aqui). <b class="calibre1">Não ama a seu irmão. </b> "Esta cláusula não é uma simples explicação do que a precede, mas a expressão dela na mais alta forma cristã" (Westcott, pág. 109). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">12. </b> Amor pelo irmão sugere o ódio de um irmão e por isso o exemplo de Caim foi citado. Diz-se que ele pertencia à família do maligno. <b class="calibre1">Assassinou. </b> Originalmente a palavra grega (usada aqui e em Ap. 5:6, 9, 1; 6:4, 9; 13:3, 8; 18:24 apenas) significava "cortar a garganta" e depois, "matar violentamente ". </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">13. Não vos maravilheis. </b> Literalmente, <i class="calibre3">parem de se maravilhar</i>. </p>
<p class="calibre2">Os leitores de João evidentemente não podiam entender por que o mundo os odiaria. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">14. </b> Amor significa vida, e ódio significa morte. O teste de ter nascido de novo não é o ódio do mundo contra nós, mas <b class="calibre1">porque </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">amamos os irmãos. </b> <b class="calibre1">15. Assassino. </b>Isto não deve ser entendido figurativamente, como se fosse um homicida da alma ou do caráter, mas literalmente, por causa do versículo 12. Deus olha para o coração, e o coração que está cheio de ódio é potencialmente capaz de homicídio. Compare com os ensinamentos do Senhor em Mt. 5:21, 22. "Aquele que cai em estado lamentável, cai sob os resultados normais desse estado posto em prática até as conseqüências" (Alford, <i class="calibre3">The Greek Testament</i>, IV, 474). Surgindo a ocasião, a pessoa que habitualmente odeia seu próximo agirá exatamente como Caim. Tal pessoa não está salva. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">16. </b> Cons. 2:6. Amor auto-sacrificante é uma exigência para o crente. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">17. </b> Não são muitos os chamados para dar a sua vida pelos outros, mas todos podem seguir as instruções deste versículo. João sugere "que há um perigo na auto-indulgência das opiniões sublimes que estão fora do âmbito da experiência comum. Podemos, portanto, experimentarmo-nos através de um teste bem mais despretensioso. A questão geralmente não é morrer por alguém, mas partilhar com ele os meios de vida 1 materiais" (Westcott, pág. 114). <b class="calibre1">Recursos</b>. Posses materiais. Entranhas (E.R.C.). A sede dos afetos; melhor traduzir para <b class="calibre1">coração</b> (E.R.A.). </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">C. Em Relação as Nossas Orações – Respostas. 3:19-24. </b></p>
<p class="calibre2">O ensinamento precedente poderia naturalmente causar apreensão em algumas mentes. Por isso João apressa-se em acrescentar que o fruto do amor é confiança, e a confiança expressa-se na oração, e a oração confiante recebe resposta. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) A Resposta Depende da Confiança. 3:19-21. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">19. E nisto, </b> isto é, no amor aos irmãos. <b class="calibre1">Asseguraremos</b> (E.R.C.). </p>
<p class="calibre2">Literalmente, persuadiremos ou <b class="calibre1">tranqüilizaremos</b> (E.R.A.). Persuadir nossos corações do quê? Que ele não precisa nos condenar. Assim o <i class="calibre3">assegurar</i> é uma tradução interpretativa correta. <b class="calibre1">Perante ele. </b> É na presença de Deus que vem a segurança. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">20. Se, </b> isto é, "seja como for", equilibrando todas as comas da última parte do versículo. Nas coisas em que nossos corações nos condenam, <b class="calibre1">Deus é maior ... </b> Ao examinarmos nossa vida de amor fraternal, nossos corações podem ser muito rigorosos ou demasiado lenientes. Mas Deus é maior e conhece todas as coisas; portanto, apelamos a Ele quanto à verdade a nosso respeito, e nos lembramos que Ele é todo compaixão. Isto resulta em julgamento correto e confiança para nossos corações. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">21. </b> Um argumento a fortiori: "Se diante de Deus podemos persuadir a consciência a nos absolver, quando ela nos censura, muito mais segurança temos diante dEle, quando isto <i class="calibre3">não</i> acontece" (Plummer, <i class="calibre3">The Epistles of S. John</i>, pág. 89). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Não nos acusar. </b> Não perfeição sem pecado, mas nenhum pecado não confessado em nossa vida. <b class="calibre1">Confiança</b>. Literalmente, <i class="calibre3">ousadia</i> ou <i class="calibre3">liberdade</i> para <i class="calibre3">falar</i>. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) A Resposta Depende da Obediência. 3:22-24. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">22. </b> Oração respondida está agora condicionada na habitual guarda dos mandamentos e na prática das coisas que lhe agradam. <b class="calibre1">Guardamos</b> e <b class="calibre1">fazemos</b> estão ambos no tempo presente. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">23. </b> O mandamento é crer e amar (<b class="calibre1">creiamos ... amemos</b>). A fé é uma obra, como em Jo. 6:29. <b class="calibre1">Creiamos em o nome. </b> Literalmente, <i class="calibre3">creiamos o nome</i>. Significa crer em tudo o que Cristo é, conforme representado por Seu nome. Uma vez que o escritor se dirige a cristãos, é uma exortação a que creiamos nEle com referência a tudo quanto Ele nos dá na vida cristã. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">24. </b> A obediência também resulta em permanência. <b class="calibre1">Permanece</b> (habita). Esta palavra foi traduzida para "permanece" em Jo. 15. Assim, a sentença é uma definição de permanência. Permanecer é guardar os seus mandamentos. E o Espírito Santo dá o testemunho do fato de que Cristo habita em nós. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1 João 4 </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">IV. Cuidados com a Comunhão. 4:1-21. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. Precaução Quanto aos Espíritos Mentirosos: Falsos Profetas. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">4:1-6. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) A Existência dos Espíritos Mentirosos. 4:1. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1. </b> A menção do Espírito Santo em 3:24 leva à definição dos espíritos mentirosos. Este é um outro exemplo do método de João de usar antíteses. <b class="calibre1">Amados. </b> O vocativo cheio de ternura lembra novamente o leitor de que o assunto é importante. <b class="calibre1">Não deis crédito. </b> Literalmente, <i class="calibre3">deixem de crer</i>. Evidentemente alguns dos seus leitores estavam sendo levados pelos ensinamentos gnósticos. <b class="calibre1">Provai</b>. <i class="calibre3">Dokimazo</i>, que significa fazer passar por um teste com o propósito de se aprovar. Esta palavra geralmente implica em fazer o teste na esperança de que a coisa 1 experimentada seja aprovada, enquanto <i class="calibre3">peirazo</i> ("provar" ou "tentar") geralmente significa fazer o teste com o propósito de que a coisa experimentada seja achada em falta. O motivo do teste é simples – <b class="calibre1">muitos falsos profetas</b> já se encontram no mundo. Falsos profetas são falsos mestres (II Pe. 2:1) e operadores de milagres (Mt. 24:24; Atos 13:6; Ap. 19:20). A prova se refere à origem, <b class="calibre1">se procedem de Deus. </b> </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) O Exame dos Espíritos Mentirosos. 4:2-6. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">a) Seu Credo Deve Ser Examinado. 4:2, 3. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2. </b> Se um mestre <b class="calibre1">confessa que Jesus Cristo veio em carne, </b> é um profeta verdadeiro. Deve francamente reconhecer (o significado de <b class="calibre1">confessa</b>) a pessoa do Salvador encarnado. Isto envolve o modo de Sua vinda (<b class="calibre1">em carne</b>) e a permanência da encarnação (tempo perfeito de <b class="calibre1">veio</b>). Se ele não tomou um corpo humano, jamais poderia ter morrido e ser o Salvador. Deste versículo não devemos supor que este é o único teste da ortodoxia, mas é um dos principais e foi o mais necessário contra os erros do tempo de João. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3. </b> Declaração negativa da verdade do versículo 2. <b class="calibre1">Não</b>. A posição do negativo seguindo-se ao pronome relativo exige esta tradução: "Cada espírito que for do tipo que não confessa". <b class="calibre1">Espírito do anticristo. </b> A E.R.A. acrescenta devidamente a palavra espírito, embora a omissão dela no grego indique uma largueza de pensamento. Tal falso profeta está influenciado por muitas forças e espíritos, incluindo as demoníacas e todas essas revelam a ação do anticristo. Forças sobrenaturais estão por trás desses falsos mestres. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">b) Seu Povo Deve Ser Examinado. 4:4-6. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">4. </b> (Vós) <b class="calibre1">sois</b>. Em contraste aos falsos mestres. <b class="calibre1">Os</b>. Os próprios falsos profetas, não os espíritos que estão por trás deles. <b class="calibre1">Aquele que está </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">em vós. </b> Indefinido quanto à qual pessoa da Deidade em particular João se referia, embora a menção do Espírito em 3:24 poderia indicar que o 1 Espírito Santo que habita o crente é o mencionado. <b class="calibre1">Aquele que está no </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">mundo. </b> Satanás, o príncipe do mundo e a força que dá energia aos profetas e espíritos falsos (Jo. 12:31). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">5. Eles procedem. </b> Os falsos profetas. <b class="calibre1">Falam da parte do mundo. </b> O mundo é a sua fonte de linguagem, não o seu assunto. O sistema mundial encabeçado por Satanás é a fonte de toda heresia. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">6. Nós. </b> Intensivo – "Quanto a nós ... " <b class="calibre1">Conhece... ouve. </b> Os dois verbos estão no presente, indicando progressividade. Aquele que está se desenvolvendo no conhecimento de Deus continua a nos ouvir. <b class="calibre1">Nisto</b>. </p>
<p class="calibre2">Isto é, os apóstolos falara a verdade porque o povo de Deus os ouve, enquanto que os falsos profetas filam o erro porque o mundo os ouve. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. Precaução Quanto ao Espírito do Amor: Falsa Profissão. 4:7-21. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) O Fundamento do Amor. 4:7-10. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">a) O amor é de Deus. 4:7, 8. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">7. </b> "A transição parece abrupta, como se o apóstolo tivesse acabado sumariamente com um assunto desagradável" (Plummer, <i class="calibre3">The Epistles</i>, pág. 99). Esta é a terceira seção sobre o amor (cons. 2:7-11; 3:10-18). <b class="calibre1">O </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">amor procede de Deus. </b> A origem. <b class="calibre1">Nascido</b>. Tempo perfeito – "nasceu e continua sendo seu filho". </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">8. Não ama. </b> Particípio presente – "não ama habitualmente". <b class="calibre1">Deus é </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">amor. </b> A terceira das três grandes declarações de João quanto à natureza de Deus (Jo. 4:24; I Jo. 1:5). A ausência do artigo (Deus é <i class="calibre3">o</i> amor) indica que o amor não é simplesmente uma qualidade que Deus possui, mas o amor é aquilo que Ele é por Sua própria natureza. Mais ainda, sendo Deus amor, o amor que Ele demonstra brota dEle mesmo e não externamente. A palavra <b class="calibre1">Deus</b> está precedida por um artigo, que significa que a declaração não é reversível; não se pode ler, "O amor é Deus". </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">b) O amor é de Cristo. 4:9, 10. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">9. </b> A manifestação do amor de Deus em nosso caso (em nós) está na oferta do Seu Filho. <b class="calibre1">Filho unigênito. </b> Deus, além de enviar o Seu Filho, enviou o Seu Filho unigênito. Cristo é o único Filho nascido no sentido de que não tem irmãos (cons. Hb. 11:17). <b class="calibre1">Para vivermos. </b> O propósito da vinda de Cristo. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">10. Nisto consiste o amor. </b> Literalmente, <i class="calibre3">o amor</i>; isto é, o amor que é a natureza de Deus. E tal amor não se relaciona a qualquer coisa que os seres humanos possam fazer, mas expressa-se no dom de Cristo. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Propiciação</b>. Satisfação. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) As Glórias do Amor. 4:11-21. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">a) Leva-nos a amar os outros. 4:11, 12. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">11. De tal maneira. </b> Se Deus nos amou até o ponto de dar o Seu único Filho, <b class="calibre1">devemos</b> (obrigação moral) <b class="calibre1">amar uns aos outros. </b> Os falsos mestres não estavam preocupados em ensinar qualquer obrigação moral. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">12. Deus</b> está em posição enfática. Tradução: <i class="calibre3">Deus ninguém jamais viu</i>. A conexão entre este pensamento e o contexto parece ser este: Uma vez que nunca ninguém viu a Deus, a única maneira de se ver Aquele que é amor, é através do amor de Seus filhos entre si, comprovando assim a semelhança familiar. <b class="calibre1">Seu amor</b> poderia se referir ao Seu amor por nós ou ao nosso amor por Ele (Plummer, pág. 103) ou à Sua natureza (Westcott, pág. 152; Wuest, pág. 166). Provavelmente não é o Seu amor por nós. Se é o nosso amor por Ele, este amor <b class="calibre1">é aperfeiçoado</b> (amadurecido) enquanto nós amamos os irmãos. Se é o amor que é a Sua natureza que é aperfeiçoado (ou atinge o seu propósito) enquanto os crentes ama uns aos outros. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">b) Leva-nos a conhecer o Deus que habita em nós. 4:13-16. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">13. </b> Uma vez que não podemos ver a Deus, Ele nos deu evidências de Sua presença em nós por meio do Seu Espírito, o qual habita em nós. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Do seu Espírito. </b> Não que nós recebamos parte da Terceira Pessoa da Trindade, mas que recebemos alguns dos muitos dons do Espírito. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">15. Confessar. </b> Dizer a mesma coisa; isto é, concordar com alguma autoridade fora de si mesmo. <b class="calibre1">Filho de Deus. </b> "Esta confissão da divindade de Jesus Cristo implica em submissão e também obediência, não mero serviço de lábios" (A.T. Robertson, <i class="calibre3">World Studies in the New Testament</i>, VI, 234). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">16. O amor que Deus nos tem</b> (literalmente, em nós). O amor se torna uma força trabalhando em nós. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">c) Dá-nos ousadia no dia do juízo. 4:17. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">17. </b> <i class="calibre3">O amor para conosco</i>, literalmente. É o amor que Deus, que é amor, produziu em nós, gerando-nos e colocando o Seu Espírito em nós. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">No dia do juízo mantenhamos confiança. </b> O crente que tem o perfeito amor de Deus em sua vida terrena pode enfrentar o tribunal de Cristo sem vexame. Tal segurança não é presunção, porque, <b class="calibre1">segundo ele é, </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">também nós somos neste mundo. </b> A base para a ousadia é a nossa atual semelhança com Cristo nesta vida, e particularmente, de acordo com este contexto, nossa semelhança em amor. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">d) Lança fora o medo. 4:18. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">18. </b> A idéia da ousadia traz à mente o seu antônimo, o medo. Uma vez que o amor busca o mais alto bem para o outro, o <b class="calibre1">medo</b>, que é esquivar-se do outro, não pode ser uma parte do amor. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">e) Comprova a realidade de nossa profissão. 4:19-21 . </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">19. Nós o amamos</b> (E.R.C.). A palavra <b class="calibre1">o</b> não se encontra nos melhores textos, e o verbo está no subjuntivo. Portanto, a tradução é: <i class="calibre3">Vamos amar, porque ele nos amou primeiro</i>. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">20, 21. </b> Nosso amor aos irmãos, uma coisa visível, comprova o nosso amor a Deus, uma entidade invisível. É fácil dizer piedosamente, "eu amo a Deus"; João diz que a verdadeira piedade se comprova no 1 amor fraternal. Mais ainda, ele insiste na idéia declarando no versículo 21 que este é um mandamento de Cristo (Jo. 13:34). </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1 João 5 </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">V. Causa de Comunhão. 5:1-21. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">Crer em Cristo é a base de nossa comunhão. A palavra crê só apareceu três vezes até este ponto da epístola, mas aparece seis vezes em 5:1-13. "Agora S. João traça as bases para o parentesco espiritual" (Westcott, pág. 176). O fato do cristão ter exercitado a fé em Cristo comprova-se de três maneiras, de acordo com o ensinamento deste capítulo. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. Fé em Cristo Comprovada pela Nossa Conduta. 5:1-5. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) Como nascidos de Deus, amamos os irmãos. 5:1-3. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1. </b> Os gnósticos negavam que Jesus de Nazaré fosse o Cristo. João toma a fé nesta verdade em teste essencial do nascido de Deus. <b class="calibre1">Que o </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">gerou</b> é Deus. <b class="calibre1">Que dele é nascido</b> é o crente. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2. </b> Aqui se declara o inverso de 4:20,21. Também se pode dizer que aquele que ama a Deus ama os Seus filhos, e que aquele que ama os filhos de Deus ama a Deus. <b class="calibre1">Quando</b>. Literalmente, <i class="calibre3">sempre quando</i>. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3. Penosos, </b> um fardo opressivo e exaustivo. <b class="calibre1">Amor</b> transforma os mandamentos de Deus em luz. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) Na qualidade de crentes vivemos vitoriosamente. 5:4, 5. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">4. </b> Guardar o mandamento de amar os irmãos é possível por causa da <b class="calibre1">vitória</b> que o cristão tem sobre o mundo. <b class="calibre1">Vence. </b> Tempo presente, implica em batalha contínua. <b class="calibre1">Vitória que vence. </b> Aqui o verbo está no aoristo, indicando a certeza da vitória. A vitória que venceu o mundo é a nossa <b class="calibre1">fé</b>. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">5. </b> Nossa fé está sobre o fato de que <b class="calibre1">Jesus</b> <i class="calibre3">é</i> <b class="calibre1">o Filho de Deus. </b> É a crença na divindade total (Filho de Deus) e na verdadeira humanidade (Jesus) do Deus-homem. "Nosso credo é a nossa espada e escudo" (Plummer, <i class="calibre3">The Epistles of St. John</i>, pág. 112). </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. Fé em Cristo Comprovada pelas Nossas Credenciais. 5:6-12. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) A Evidência das Credenciais. 5:6-8. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">6. Água e sangue. </b> Têm sido interpretados como significando 1) o batismo e a morte de Cristo; 2) a água e o sangue que escorreram do lado de Cristo na cruz; 3) a purificação e a redenção; e 4) os sacramentos do batismo e a Ceia do Senhor. As duas últimas interpretações são simbólicas; e não há lugar para tais interpretações aqui porque veio está no aoristo, referindo-se ao acontecimento real. As duas primeiras fazem a frase referir-se a acontecimentos reais na vida do Senhor. A segunda não deve ser a preferida porque a ordem das palavras está inversa (cons. Jo. 19:34). A primeira é a que mais satisfaz. Cristo veio <b class="calibre1">por</b> ( <i class="calibre3">dia</i>, "por intermédio de") <b class="calibre1">meio de</b> um batismo que O destacou e associou O Seu ministério com a justiça; e por meio do sangue, Sua morte, a qual pagou a penalidade devida pelos pecados do mundo. Seu ministério também foi exercido na (o primeiro, segundo e terceiro com do versículo) esfera daquilo para o que o Seu batismo e Sua morte representavam. O Espírito Santo continua dando testemunho desta verdade. O batismo e a morte foram dois fins do ministério de nosso Senhor. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">7. </b> O texto deste versículo deveria ser, <b class="calibre1">Pois há três que dão </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">testemunho. </b> O restante do versículo é espúrio. Nenhum manuscrito contém a adição trinitária antes do século catorze, e o versículo jamais foi citado nas controvérsias sobre a Trindade nos 450 primeiros anos da existência da igreja. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">8. As três testemunhas são o Espírito, a água e o sangue; e os </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">três são unânimes num só propósito. . </b>"A trindade das testemunhas fornece um só testemunho" (Plummer, <i class="calibre3">The Epistles</i>, pág. 116), isto é, 1 que Jesus Cristo veio na carne para morrer pelo pecado para que os homens pudessem viver. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) O Efeito das Credenciais. 5:9-12. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">9. </b> Um testemunho triplo é tudo o que os homens precisam (cons. Dt. 19:15; Mt. 18:16; Jo. 8:17). Deus nos deu três testemunhos no Espírito, na água e no sangue, os quais devemos receber. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">10. Em si. </b> O testemunho não é só externo mas também interno. </p>
<p class="calibre2">"Aquilo que para os outros é externo, para o crente é experimental" (Westcott, pág. 186). <b class="calibre1">O faz mentiroso. </b> O incrédulo faz de Deus um mentiroso no que se refere a todo o Seu plano da redenção. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">11. Testemunho. </b> O conteúdo do testemunho externo e interno é que Deus deu o Seu divino Filho para que os homens pudessem ter vida eterna. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">12. </b> Uma dedução do versículo 11. Se o Filho tem vida, então aquele que tem o Filho também tem vida. <b class="calibre1">Vida</b>. Literalmente, <i class="calibre3">a vida</i>. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">C. Fé em Cristo Comprovada pela Nossa Confiança. 5:13-21. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) Confiança em Oração. 5:13-17. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">13. Estas coisas. </b> Toda a epístola. <b class="calibre1">A fim de saberdes. </b> O conhecimento consciente da posse da vida eterna é a base para a alegria da comunhão, a qual é o tema da epístola (1:4). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">14. Confiança. </b> Esta é a quarta vez que é mencionada (cons. 2:28; 4:17 em conexão com o juízo; e 3:21, 22 e aqui em conexão com a oração). <b class="calibre1">Segundo a sua vontade. </b> A limitação é benévola porque a Sua vontade sempre constitui o melhor para os Seus filhos. A promessa é que Deus nos ouve e isto inclui a idéia de que Ele também garante a resposta (cons. Jo. 9:31; 11:41, 42). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">15. Quanto ao que lhe pedimos</b> é sinônimo de <b class="calibre1">segundo a sua </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">vontade</b> do versículo 14. O crente que está em comunhão com Deus não pedirá nada que seja contrário à vontade de Deus. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">16. </b> A oração está limitada não somente pela vontade de Deus mas também pelas ações dos outros. </p>
<p class="calibre2">"A vontade do homem foi dotada por Deus com tal e tão régia liberdade, que nem mesmo a Sua vontade a coage. Muito menos, portanto, pode a oração de um irmão coagi-la. Se a vontade humana deliberada e obstinadamente resistiu a Deus, e persiste em fazê-lo, somos privados de nossa garantia usual. Contra a vontade rebelde até mesmo a oração da fé de acordo com a vontade de Deus (pois é claro que Deus deseja a submissão do rebelde) será feita em vão" (Plummer, <i class="calibre3">The Epistles of S. John</i>, pág. 121). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Cometer... pecado. </b> Literalmente, <i class="calibre3">pecando um pecado</i>. O suposto caso é aquele no qual o irmão é apanhado no ato do pecado. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. </b> Os pronomes são ambíguos. A sentença pode significar que Deus dará vida ao intercessor, ou pode ser considerado significando que o intercessor dará vida ao pecador através de suas orações (semelhante a Tg. 5:20). É difícil decidir qual preferir, pois ambas as idéias são bíblicas. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Pecado para morte. </b> A tradução, <i class="calibre3">um pecado</i> é muito definida. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Há pecado para morte, </b> o qual implica não em um simples ato, mas atos que têm o caráter do pecado para a morte. Talvez nem sempre sejam exteriores para poderem ser reconhecidos e sabidos, uma vez que João diz que não sabemos como orar. O pecado para morte também não é a rejeição de Cristo, pois o contexto está lidando com cristãos. Deve ser semelhante aos casos citados em I Co. 5 e 11:30. Quanto à oração por tal irmão, João é muito reservado nas suas recomendações. Ele não proíbe a intercessão nem a desencoraja. Comunhão individual determinará o devido curso de ação. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">17. Toda injustiça é pecado. </b> João adverte contra o pensamento relaxado de que alguns pecados são permissíveis e outros (<b class="calibre1">para morte</b>) não são. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) Confiança no Conhecimento. 5:18-21. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">18. Sabemos. </b> Com conhecimento certo e positivo. <b class="calibre1">Não vive em </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">pecado. </b> Tempo presente; pecado habitual. "O poder da intercessão para vencer as conseqüências do pecado poderiam parecer um encorajamento para uma certa indiferença ao pecado" (Westcott, pág,193). "A condição da filiação divina é incompatível, não simplesmente com o pecado para morte, mas com o pecado de qualquer aspecto" (Plummer, pág. 125). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Toca</b>. Aparece em João só em Jo. 20:17, e não significa um simples toque superficial mas um agarramento. Satanás não pode agarrar e manter preso aquele que é nascido de Deus. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">19. </b> O segundo fato em nosso conhecimento. <b class="calibre1">O mundo inteiro. </b> A ordem das palavras indicam que o mundo com os seus pensamentos, caminhos, métodos, etc., é o que o escritor tinha em mente. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">20. </b> Terceiro fato. <b class="calibre1">É vindo. </b> O verbo ( <i class="calibre3">hekei</i> mais do que <i class="calibre3">erkomai</i>) inclui as idéias de Sua vinda na encarnação e Sua presença agora nos crentes. <b class="calibre1">Para reconhecermos. </b> Conhecer experimentalmente por intermédio da apropriação do conhecimento. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">21. Guardai-vos. </b> Uma palavra diferente ( <i class="calibre3">fylasso</i>) da que foi usada em 5:18 ( <i class="calibre3">tereo</i>). Significa guardar como o faz uma guarnição militar. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Ídolos. </b> "Um 'ídolo' é qualquer coisa que ocupa o lugar que é de Deus" (Westcott, pág. 197). Éfeso abundava com ídolos e práticas idólatras; por isso a advertência era muito apropriada. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2 JOÃO </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> </b> <b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Introdução</a></b><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Esboço Capítulo 1</a></b><b class="calibre1"> </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">INTRODUÇÃO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">Nem a II nem a III João contêm qualquer indicação de tempo ou do lugar em que foram escritas. À vista deste silêncio e na falta de qualquer evidência ao contrário, parece provável que as circunstâncias foram as mesmas da Primeira Epístola. O destino da Segunda Epístola é enigmático. Alguns acham que a frase <b class="calibre1">senhora eleita</b> (v. 1) é uma maneira figurada de designar toda a igreja, ou pelo menos algum grupo em particular. Tal uso metafórico encontra o paralelo em Ef. 5:22-23 e em Ap. 21:9. Aceitando tal ponto de vista, a irmã eleita (v. 13) se referiria a congregação do próprio João. Entretanto, "a simplicidade da pequena carta impossibilita uma alegoria tão elaborada, enquanto a ternura do seu tom caracteriza-a como comunicação pessoal" (David Smith, EXpGT, IV, 162). Outros defendem que a carta foi dirigida a uma senhora individualmente e a sua família. Se o seu nome era Kyria é uma questão em aberto (cons, construções alternadas em III Jo. 1 e I Pe. 1:1), seja qual for o seu nome, evidentemente morava perto de Éfeso e era bem conhecida na comunidade (talvez o seu lar fosse local de reunião para a igreja local). Uma irmã sua, presumivelmente falecida, tinha família residente em Éfeso e estava ligada à congregação de João. Ao que parece diversos filhos da "senhora eleita" visitaram seus primos em Éfeso. Tendo feito amizade com eles, João escreveu uma carta à mãe deles. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">ESBOÇO </b></p>
<p class="calibre2">I. Introdução. 1-3. </p>
<p class="calibre2">A. Autor. 1. </p>
<p class="calibre2">B. Destinatários, 1. </p>
<p class="calibre2">2 C. Saudação. 2, 3. </p>
<p class="calibre2">II. Advertência contra a heresia. 4-11. </p>
<p class="calibre2">A. Conteúdo da heresia. 4-6. </p>
<p class="calibre2">B. A Causa da heresia. 7. </p>
<p class="calibre2">1 . A vinda dos enganadores. 7. </p>
<p class="calibre2">2. O credo dos enganadores. 7. </p>
<p class="calibre2">C. As conseqüências da heresia. 8-11. </p>
<p class="calibre2">1. Exame do ego. 8. </p>
<p class="calibre2">2. Exame dos outros. 9-1 1. </p>
<p class="calibre2">a. Critério para o exame. 9. </p>
<p class="calibre2">b. Conseqüências do exame. 10, 11. </p>
<p class="calibre2">III. Conclusão, 12, 13. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">COMENTÁRIO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2 João cap. 1 </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Introdução. 1-3. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. Autor. 1. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O ancião</b> (E.R.C.). Veja introdução à I João. Talvez o uso informal e mais íntimo de <b class="calibre1">ancião</b> (E.R.C.) em lugar de "apóstolo" ajude a defender o ponto de vista de que a carta foi dirigida a uma pessoa em particular e não a uma igreja. Sobre a palavra <b class="calibre1">ancião</b> (E.R.C.) usada com referência à idade, veja I Tm. 5:1, 2; I Pe. 5:5; e com referência à posição, veja Atos 11:30; 14:23; 15:4, 6, 23; 16:4; 20:17; I Tm. 5:17, 19; Tt. 1:5; Tg. 5:14; I Pe. 5:1. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. Destinatários. 1. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Senhora eleita. </b> Veja Introdução. A quem refere-se à mãe e filhos. </p>
<p class="calibre2">A verdade. Antes, "em toda sinceridade cristã". <b class="calibre1">Todos... </b> Todos os 2 cristãos amariam a família se tivessem com ela o mesmo relacionamento que João tinha. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">C. Saudação. 2, 3. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2. Por causa da verdade. </b> Cons. 15:6; 16:6. A Verdade (ou Cristo) e o Espírito tomaram possível o amor pela senhora eleita e sua família. A Verdade é o fundamento do amor por todos os crentes. <b class="calibre1">Em nós. </b> Posição enfática na cláusula. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3. </b> Traduzir: Haverá graça... conosco. Modo de saudar fora do comum, provavelmente sugerido pelo <b class="calibre1">em nós</b> no versículo precedente, É a confiante certeza da bênção. <b class="calibre1">Graça</b>. O favor de Deus para com os pecadores. A palavra ocorre em outro lugar de João apenas em Jo. 1:14, 16, 17; III Jo. 4; Ap. 1:4; 22:21. <b class="calibre1">Misericórdia</b> é a compaixão de Deus por nós em nossa miséria. João usa esta palavra apenas aqui. <b class="calibre1">Paz</b> é o estado resultante de integridade quando o pecado e a miséria são removidos. <b class="calibre1">De Deus ... e ... de Jesus Cristo. </b> A repetição do <b class="calibre1">de</b> ( <i class="calibre3">para</i>) enfatiza a independência das pessoas do Pai e do Filho. <b class="calibre1">O Filho do Pai. </b> Uma expressão única aparentemente relacionada com a revelação do Pai junto com o Filho. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">II. Advertência Contra a Heresia. Vs. 4-11. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">A verdade e o amor mencionados no versículo 3 são agora desenvolvidos. Elogia-se o andar na verdade dos filhos da senhora e recomenda-se o amarem-se uns aos outros. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. O Conteúdo da Heresia. 4-6. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">4. Alegre. </b> Aoristo, talvez epistolar – "regozijo"; ou melhor, expressando o ato inicial de alegria. <b class="calibre1">Ter encontrado. </b> Tempo perfeito; o que João achou continuou sendo verdade. <b class="calibre1">Andam</b>. <i class="calibre3">Peripateo</i>, incluindo todas as atividades da vida (cons. I Jo. 1:7). <b class="calibre1">Na verdade. </b> Todo o caráter e conduta de suas vidas baseavam-se na verdade; isto conformava-se ao 2 todo do Cristianismo. Alguns, certamente, não andara na verdade, e esta era a heresia. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">5. E agora. </b> Isto introduz uma exortação prática baseada no versículo 4. "Eu me alegro diante da vida cristã de alguns dos -seus filhos, e me preocupo com os outros, o que me leva a exortá-los" (Plummer, pág. 135). <b class="calibre1">Peço-te. </b> <i class="calibre3">Erotao</i>, um pedido pessoal, mais do que <i class="calibre3">parakaleo</i>, um pedido geral (palavra que nunca foi usada por João). <b class="calibre1">Que </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">nos amemos uns aos outros. </b> Estas palavras provavelmente dependem de peço-te, sendo parentética a cláusula intermediária. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">6. E o amor é este. </b> O amor a que João se refere consiste nisto. No versículo 5 o mandamento é o amor; no versículo 6, amar é obedecer aos Seus mandamentos. "Este não é um círculo vicioso lógico, mas uma conexão moral sadia... O amor divorciado do dever toma-se desenfreado, e o dever divorciado do amor acaba morrendo de inanição" (Plummer, pág. 135, 136). O amor não é simplesmente uma questão de sentimentos; é a ação de se fazer a vontade de Deus. Esta palavra deveria ser particularmente necessária ao escrever-se para uma mulher, que por natureza é mais emocional. <b class="calibre1">Nesse</b>. No amor, o qual é Seu mandamento. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. A Causa da Heresia. 7. </b></p>
<p class="calibre2">Alguns estavam espalhando heresias em vez de andarem na verdade. A heresia consistia na negação da verdade dos mandamentos do Cristo encarnado, e devia-se à negação da Encarnação. Se Cristo não foi verdadeiramente humano, então não existe nenhuma base para a ética cristã (cons. I Jo. 2:6). E certamente não há exemplo de amor auto-renunciante se for mero fantasma ou teofania". </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">7. Enganadores. </b> Aqueles que levam por um caminho errado. <b class="calibre1">Não </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">confessam. </b> Não afirmar é o mesmo que negar. Veio (E.R.C.). </p>
<p class="calibre2">Literalmente, <b class="calibre1">vindo</b>, E.R.A. (um particípio). A ênfase não é simplesmente sobre o fato passado da vinda de Cristo na carne, mas também na continuação de Sua humanidade e até mesmo sobre a futura manifestação do Senhor. Nunca se disse que Cristo veio <i class="calibre3">no interior da </i></p>
<p class="calibre2">2 <i class="calibre3">carne</i>, mas em carne; o primeiro caso daria lugar a que se dissesse que a divindade uniu-se a Jesus algum tempo depois do Seu nascimento. <b class="calibre1">O </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">anticristo. </b> Aquele sobre quem já tinham ouvido. Veja observações em I Jo. 2:28. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">C. As Conseqüências da Heresia. 8-11. </b></p>
<p class="calibre2">A presença de ensinamentos heréticos exige exame. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1) Exame do Ego. 8. </b></p>
<p class="calibre2">O perigo era pessoal além de externo; portanto, pede-se um auto-exame, além do exame dos heréticos. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Acautelai-vos. </b> Cons. Mc. 13:9. <b class="calibre1">Para que não percamos</b> (E.R.C.). </p>
<p class="calibre2">Melhor o <b class="calibre1">para não perderdes</b> da E.R.A. <b class="calibre1">Aquilo que temos realizado</b>; isto é, os apóstolos. <b class="calibre1">Recebamos</b> (E.R.C.). Melhor <b class="calibre1">receberdes</b> da E.R.A. </p>
<p class="calibre2">Assim, a sentença ficaria: <b class="calibre1">para não perderdes aquilo que temos </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. </b> Os leitores são advertidos a tomarem cuidado para que os enganadores não desfizessem a obra que os apóstolos e evangelistas tinham realizado, a fim de que recebessem plena recompensa. <b class="calibre1">Completo galardão. </b> Nada faltando na recompensa do povo de Deus no futuro. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2) Exame dos Outros. 9-11. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">9. </b> Outros deviam ser examinados com base na sua permanência nos ensinamentos de Cristo. <b class="calibre1">Ultrapassa</b>. Melhor, <i class="calibre3">prossegue</i>, isto é, na profissão do Cristianismo sem a realidade da permanência na doutrina de Cristo. <b class="calibre1">Doutrina de Cristo. </b> O que Ele ensinou quando veio. <b class="calibre1">Esse tem </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">assim o Pai, como o Filho. </b> A expressão mais completa da parte positiva do versículo prova que, na declaração negativa que a precede, não ter Deus é não ter Cristo também. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">10. Se alguém vem. </b> O se presume o caso, não expressa simplesmente a possibilidade. Em outras palavras, tais pessoas entravam nos lares cristãos sob um disfarce amistoso (cons. Didachê 11). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Convosco</b>. À senhora eleita e seus filhos. <b class="calibre1">Não o recebais ... nem lhe </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">deis as boas vindas. </b> Imperativos presentes, proibindo a continuação do que era costumeiro. A injunção é recusar aos tais a hospitalidade cristã. </p>
<p class="calibre2">Esta é uma medida severa, particularmente quando lembramos que a hospitalidade é de modo geral incentivada no N.T. <b class="calibre1">Nem lhe deis as </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">boas-vindas. </b> Não lhes digam palavra de saudação e simpatia. <b class="calibre1">Boas-vindas</b> é uma boa tradução (Não, lhes desejem boas-vindas) da ampla idéia contida na palavra <i class="calibre3">karein</i> (cons. Atos 15:23; 23:26; Tg. 1:1). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">11. Faz-se cúmplice. </b> Alguém que comunga. Aquele que deseja boa sorte, na verdade comunga na obra do anticristo. <b class="calibre1">Obras más. </b> Literalmente, <i class="calibre3">suas obras, suas más obras</i>. A ênfase está sobre o caráter mau de suas obras. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">III. Conclusão. Vs. 12,13. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">A conclusão é muito parecida com a da Terceira Epístola e evidentemente indica que as duas cartas foram escritas ao mesmo tempo. </p>
<p class="calibre2">João tratou do assunto principal da carta e reserva outros assuntos para uma entrevista pessoal. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">12. Muitas. </b> Talvez os mesmos assuntos discutidos na Primeira Epístola. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">13. Irmã eleita. </b> Veja Introdução a II João. O adjetivo eleita foi usado por João apenas aqui, no versículo 1 e em Ap. 17:14. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3 JOÃO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Introdução</a></b><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Esboço Capítulo 1</a></b><b class="calibre1"> </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">INTRODUÇÃO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">Nem a II nem a III João contêm qualquer indicação de tempo ou do lugar em que foram escritas. À vista deste silêncio e na falta de qualquer evidência ao contrário, parece provável que as circunstâncias foram as mesmas da Primeira Epístola. O destino da Segunda Epístola é enigmático. Alguns acham que a frase <b class="calibre1">senhora eleita</b> (v. 1) é uma maneira figurada de designar toda a igreja, ou pelo menos algum grupo em particular. Tal uso metafórico encontra o paralelo em Ef. 5:22-23 e em Ap. 21:9. Aceitando tal ponto de vista, a irmã eleita (v. 13) se referiria a congregação do próprio João. Entretanto, "a simplicidade da pequena carta impossibilita uma alegoria tão elaborada, enquanto a ternura do seu tom caracteriza-a como comunicação pessoal" (David Smith, EXpGT, IV, 162). Outros defendem que a carta foi dirigida a uma senhora individualmente e a sua família. Se o seu nome era Kyria é uma questão em aberto (cons, construções alternadas em III Jo. 1 e I Pe. 1:1), seja qual for o seu nome, evidentemente morava perto de Éfeso e era bem conhecida na comunidade (talvez o seu lar fosse local de reunião para a igreja local). Uma irmã sua, presumivelmente falecida, tinha família residente em Éfeso e estava ligada à congregação de João. Ao que parece diversos filhos da "senhora eleita" visitaram seus primos em Éfeso. Tendo feito amizade com eles, João escreveu uma carta à mãe deles. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">ESBOÇO </b></p>
<p class="calibre2">I. Introdução. 1-4. </p>
<p class="calibre2">A. Saudação Pessoal. 1. </p>
<p class="calibre2">B. Sentimentos Pessoais. 2-4. </p>
<p class="calibre2">3 II. O dever da hospitalidade. 5-8. </p>
<p class="calibre2">A. A recompensa da hospitalidade. 5. </p>
<p class="calibre2">B. Os comentários sobre a hospitalidade. 6. </p>
<p class="calibre2">C. Os motivos para a hospitalidade. 7, 8. </p>
<p class="calibre2">III. O perigo da arrogância. 9-12. </p>
<p class="calibre2">A. A arrogância exemplificada. 9. </p>
<p class="calibre2">B. A arrogância condenada, 10. </p>
<p class="calibre2">C. A arrogância contrastada. 11, 12. </p>
<p class="calibre2">IV. Conclusão. 13, 14. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">COMENTÁRIO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3 João cap. 1 </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Introdução. 1-4. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">A epístola apresenta dentro do Novo Testamento, um dos reflexos mais nítidos de uma igreja no primeiro século. Os caracteres, Gaio, Diótrefes e Demétrio, são esboçados com fortes traços da pena do apóstolo. Características da vida da igreja também se vislumbram claramente na epístola. A independência dos crentes é notável, e suas personalidades, como também seus problemas doutrinários, são patentes. </p>
<p class="calibre2">Esta curta e muito pessoal carta destrói a noção de que o estado de coisas era ideal, ou quase, no primeiro século. Por outro lado, revela os problemas de uma fé vigorosamente crescente. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. Saudação Pessoal. 1. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1. </b> A saudação é breve em contraste com as saudações de outras cartas pessoais do N.T. <b class="calibre1">Presbítero</b>. Veja II Jo. 1. Era evidentemente a maneira costumeira de João designar-se. </p>
<p class="calibre2">3 <b class="calibre1">O amado Gaio. </b> Uma vez que Gaio era um dos nomes mais comuns daquele tempo, toma-se impossível identificá-lo com qualquer outro Gaio mencionado no N.T. (cons. Atos 19:29; 20:4; Rm. 16:23; I Co. 1:14). <b class="calibre1">Amado</b> expressa o sentimento comum que outros partilhavam para com Gaio. <b class="calibre1">A quem eu amo na verdade, </b> expressa os sentimentos pessoais de João. O eu é enfático, como se implicasse na existência de outros que lhe eram hostis. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. Sentimentos Pessoais. 2-4. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2. Acima de tudo. </b> Tal significado para <i class="calibre3">peri panton</i> não se encontra em outras passagens do N.T, ou na LXX. Refere-se à sentença em geral. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Faço votos. </b> Só aqui, em Rm. 1:10 e em I Co. 16:2. <b class="calibre1">Saúde</b>. Às vezes Paulo usa esta palavra metaforicamente falando da sã doutrina, mas aqui o sentido é de boa saúde física, como em Lc. 5:31; 7:10; 15:27. Talvez indique que Gaio estivera doente. A frase, <b class="calibre1">assim como é próspera a tua </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">alma</b> prova que "que te vá bem" e "que tenhas saúde" infere-se a bênçãos temporais, e este versículo dá-nos a autoridade de as pedirmos para nossos amigos. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3. Vinda. </b> Tempo presente; não numa única ocasião, mas em várias. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Da tua verdade, como tu andas ... </b> Os irmãos testemunharam repetidas vezes do Cristianismo de Gaio, conforme comprovada por sua doutrina e maneira de viver. O versículo também pode implicar em que Gaio tenha resistido a alguma doutrina falsa. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">4. </b> A ordem literal é ousada. <b class="calibre1">Maior alegria do que esta</b> (de receber essas notícias sobre a sua firmeza) <b class="calibre1">não tenho. </b> Alguns manuscritos trazem <i class="calibre3">graça</i> em lugar de <b class="calibre1">alegria</b>. O resultado de tais notícias foi que João ficou sabendo que os seus filhos estavam andando (como hábito de suas vidas) na verdade. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">3 <b class="calibre1">II. O Dever da Hospitalidade. 5-8. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">Ao que parece, Gaio fora censurado por alguns por causa de hospitalidade dispensada a irmãos desconhecidos. João aprova sua atitude e insiste que tal hospitalidade é dever cristão. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. A Recompensa da Hospitalidade. 5. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">5. Amado</b> destaca um novo trecho. Procedes fielmente ( <i class="calibre3">piston poieis</i>). Literalmente, <i class="calibre3">fazes uma coisa fiel</i>, ou <i class="calibre3">não deixes de fazer</i>. Isto é, qualquer benefício feito aos irmãos será certamente recompensado (cons. Mt. 26:10; Ap. 14:13). A hospitalidade tem a sua recompensa. <b class="calibre1">Mesmo </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">quando são estrangeiros. </b> A adição desta frase indicaria que este era o ponto particular pelo qual Gaio fora reprovado. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. Os Comentários Sobre a Hospitalidade. 6. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">6. Testemunho</b>. Aqueles que experimentaram a hospitalidade de Gaio deram testemunho dela diante da igreja, provavelmente em Éfeso, onde estava João. <b class="calibre1">Bem farás. </b> João insiste com Gaio a continuar sua boa obra. <b class="calibre1">Encaminhando-os em sua jornada por modo digno. </b> Veja Atos 15:3; Tt. 3:13, onde a idéia de fornecimento de provisões para a viagem está incluída. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">C. Os Motivos para a Hospitalidade. 7,8. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">7. </b> Três são os motivos apresentados para a hospitalidade. Primeiro, esses irmãos <b class="calibre1">saíram</b> por amor ao <b class="calibre1">Nome</b>, isto é, Jesus Cristo (cons. Atos 5:41; Tg. 2:7). Segundo, não aceitaram <b class="calibre1">nada</b> dos gentios não convertidos. O particípio é presente, indicando que era seu costume nada aceitar. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">8. </b> Terceiro, por meio da hospitalidade os cristãos podem se tomar cooperadores da verdade. <b class="calibre1">Devemos</b>. Somos obrigados, como em I Jo. </p>
<p class="calibre2">2:6. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">3 <b class="calibre1">III. O Perigo da Arrogância. 9-12. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A. A Arrogância Exemplificada. 9. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">9. </b> A E.R.A. traz, <b class="calibre1">escrevi alguma coisa à igreja, </b> isto é, algumas poucas palavras. <i class="calibre3">Ti</i>, (alguma coisa) indica que João não dava muita importância à sua carta. Ela, é claro, não foi preservada. <b class="calibre1">À igreja. </b> À igreja à qual Gaio pertencia. Mas o propósito da carta não foi alcançado. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Que gosta de exercer a primazia entre eles. </b> A palavra não ocorre em nenhuma outra passagem do N.T. Implica não em abandono de doutrina (cons. II Jo. 9), mas antes em arrogante ambição e desejo de promover a autoridade pessoal. Plummer faz interessante sugestão: "Talvez o significado seja que Diótrefes queda tomar sua Igreja independente; até então fora governada por S. João que se encontrava em Éfeso, mas Diótrefes queria torná-la autônoma para sua própria glorificação" (Plummer, pág. 149). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Não nos dá acolhida. </b> Isto é, Diótrefes não partilhava da opinião de João quanto a hospitalidade. A improbabilidade de que qualquer cristão se opusesse à autoridade do apóstolo é um dos argumentos internos usados contra a autoria joanina da carta. Pensa-se que é coisa inconcebível que um cristão ignorasse as ordens de um apóstolo genuíno, caso ele fosse o autor. Entretanto, a autoridade apostólica de Paulo foi muitas vezes desafiada. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">B. A Arrogância Condenada. 10. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">10. Se eu for. </b> Sem dúvida por causa do versículo 14 (cons. I Jo. </p>
<p class="calibre2">2:28 com construção semelhante). <b class="calibre1">Far-lhe-ei lembradas. </b> Lembrar essas coisas a ele e aos outros. <b class="calibre1">Proferindo</b>. Só aqui, embora a forma adjetiva ocorra em I Tm. 5:13. Literalmente, <i class="calibre3">falando bobagens</i>. <b class="calibre1">Palavras </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">maliciosas. </b> A conversa de Diótrefes era sem sentido e maldosa. Suas atitudes incluíam a falta de hospitalidade, proibindo a que outros a exercessem a ponto de excluí-los da igreja. Evidentemente tinha 3 autoridade suficiente na congregação para efetuar tal excomungação, ou seja lá o que era. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">C. A Arrogância Contrastada. 11, 12. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">11. Amado</b> indica, novamente, uma transição. <b class="calibre1">Sigas</b>, E.R.C. </p>
<p class="calibre2">Literalmente, <b class="calibre1">imites</b>, E.R.A. <b class="calibre1">Mau</b>. <i class="calibre3">Kakos</i>, "o mal". Raramente usado por João. <b class="calibre1">Procede de Deus. </b> Cons. I Jo. 3:6. A questão da hospitalidade já não é mais o único assunto específico em vista, mas o fazer o bem ou mal de modo geral, como hábito de uma vida. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">12. </b> Do mau Diótrefes, João muda o assunto para o bom Demétrio. </p>
<p class="calibre2">Tudo o que sabemos a respeito dele é o que encontramos nesta curta porção. É conjectura de que ele seja o mesmo Demétrio, porém, agora convertido, de Atos 19:24. O bom testemunho de Demétrio foi verificado por meio de três fontes: (1) todos os homens, (2) a verdade, isto é, o padrão do cristianismo, e (3) João e aqueles que estavam juntamente com ele. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">IV. Conclusão. 13, 14. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">A semelhança da conclusão de II João sustenta a opinião de que ambas foram escritas na mesma ocasião. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">13. Tinha. </b> Imperfeito, referindo-se ao tempo quando começou a escrever a carta. <b class="calibre1">Pena</b>. Literalmente, junco. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">14. </b> Veja versículo 10. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">15. A paz seja contigo. </b> Uma bênção comumente adequada para saudação e despedida. <b class="calibre1">Amigos</b>. Não se sabe se João se referia aos seus amigos ou os de Gaio. <b class="calibre1">Nome por nome. </b> A frase ocorre apenas em Jo. </p>
<p class="calibre2">10:3. A saudação devia ser dada a cada um em separado, "S. João, na qualidade de pastor das Igrejas da Ásia, imitaria o Bom Pastor e conheceria todas as suas ovelhas pelo nome" (Plummer, pág. 153). </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">JUDAS </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Introdução</a></b><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Esboço Capítulo 1 </a></b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">INTRODUÇÃO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Autoria e Data. </b> A Epístola de Judas, a última das epístolas "gerais" ou "católicas", diz que foi escrita por Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago. A disputa sobre a autenticidade dessa reivindicação é tão antiga quanto Eusébio, o qual colocou esta carta, ao lado de Hebreus por considerá-la suspeita. Entretanto, as evidências internas historicamente sadias apóiam a veracidade do texto. Mateus 13:55 e Marcos 6:3 citam Judas e Tiago como irmãos de Jesus. Já que Tiago foi identificado de maneira tão simples nesta epístola, é uma evidência de que era irmão de Jesus. Alguns mestres alegam que "Judas" era apelido ou pseudônimo literário, mas isto é uma questão em aberto. Além de ser o autor desta carta, Judas não tinha reputação especial ou autoridade dentro da igreja primitiva; portanto poucas razões existiriam para se falsificar uma carta usando o nome de Judas. Embora a data da composição não possa ser fixada com certeza, não seria inexato se a colocássemos na última parte do primeiro século. Está no Cânon Muratoriano (segundo século) e foi mencionada por Tertuliano, Clemente e Orígenes (terceiro século). Embora sofresse de um status diminuído por causa de suas citações dos livros não canônicos, Enoque e Assunção de Moisés, seus direitos e inclusão no cânon foram universalmente reconhecidos em 350 A.D. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Propósito. </b> Ao que parece uma carta geral aos cristãos do primeiro século, a Epístola de Judas adverte contra a incipiente heresia do Gnosticismo, uma filosofia que faria pronunciada distinção entre a matéria, inerentemente má, e o espírito, bom. Tal sistema de pensamento tinha sérias implicações para a vida e doutrina cristal. Desafiava a doutrina bíblica da criação. E dava lugar à idéia de que o corpo de Cristo foi apenas aparente, não real, pois se Cristo tivesse um corpo real, teria sido mau. Nos seus efeitos sobre a ética cristã, o Gnosticismo provocou dois resultados inteiramente diferentes: de um lado, o antinominianismo, a crença de que não há obrigação de se obedecer à lei moral, e de outro, uma forma de abuso do corpo para promoção da espiritualidade. As Escrituras se opõem à ambas. Pode-se deduzir da epístola que os leitores eram culpados, em diversos graus, de rebeldia contra autoridade, irreverência, conversa presunçosa e um espírito libertino. O tom de Judas é polêmico, pois ele repreende os falsos mestres que enganam crentes instáveis e corrompem a mesa do Senhor. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">ESBOÇO </b></p>
<p class="calibre2">I. Identificação, saudação e propósito. Judas 1-4. </p>
<p class="calibre2">II. Advertências contra os falsos mestres. Judas 5-16. </p>
<p class="calibre2">III. Exortação aos cristãos. Judas 17-23. </p>
<p class="calibre2">IV. Bênção. Judas 24, 25. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">COMENTÁRIO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Judas cap. 1 </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">I. Identificação, Saudação e Propósito. Judas 1-4. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1. </b> Judas identifica-se como o escritor, descreve o seu relacionamento com Cristo e Tiago, e define seus leitores, tudo em uma só curta sentença. <b class="calibre1">Judas</b> é um nome popular na tradição hebraica. Uma palavra freqüentemente empregada por Paulo – <b class="calibre1">servo</b> ou <i class="calibre3">escravo</i> – foi usada e fala da devoção de Judas a Cristo. O relacionamento consangüíneo do escritor com Jesus é de importância secundária. A soberania de Deus e a centralização em Cristo são expressas na eleição e preservação dos leitores. O verbo que foi traduzido para <b class="calibre1">guardados</b> aponta para a volta de Cristo. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">2. </b> A trilogia de Judas, <b class="calibre1">misericórdia, paz, e o amor, </b> é notadamente semítica, e corresponde rigorosamente à "graça, misericórdia e paz" de Paulo (II Tm. 1:2). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">3. </b> O propósito da carta está explicitamente declarado, e o ponto de vista discutido está indicado. Judas não ordena asperamente mas apela com amor a que esses cristãos se lembrem da <b class="calibre1">comum salvação. </b> O advérbio grego <i class="calibre3">hapax</i>, <b class="calibre1">uma vez</b> (por todas, Hb. 6:4; 10:2; I Pe. 3:18), afirma a finalidade da revelação de Deus em Cristo na história redentora. </p>
<p class="calibre2">É o ponto fixo, não repetível, de nossa fé. Esta revelação alcançou o seu alvo, pois foi entregue <b class="calibre1">aos santos</b>. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">4. </b> O motivo da carta foi a penetração de pessoas ímpias na comunhão da igreja. Esses heréticos estão sujeitos a quatro acusações: entraram secretamente ; já estavam destinados à condenação; são ímpios, isto é, irreverentes; e negam a Cristo como Mestre e Senhor. Negar é positivamente descrer do que Cristo testemunhou a Seu respeito. O antinominianismo gnóstico implicava em dissimulação ( <i class="calibre3">lascívia</i>), palavra que traz em si a idéia de devassidão sexual. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">II. Advertência contra os Falsos Mestres. Judas 5-16. </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1"> </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">5. </b> Novamente foi usado o advérbio hapax (cons. v. 3); aqui se refere ao conhecimento que os leitores têm do Evangelho. O argumento de Judas é que a <i class="calibre3">profissão</i> de fé de um homem não coloca-o em posição de justo diante de Deus. A possibilidade de escorregar está ilustrada pelo exemplo dos israelitas incrédulos que foram salvos do Egito mas subseqüentemente destruídos. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">6. </b> A ilustração seguinte é a queda dos anjos rebeldes, que se desviaram de sua vocação exaltando-se. A linguagem de Judas aqui talvez reflita a influência do livro de Enoque, o qual contém uma descrição elaborada dos anjos desobedientes. Gênesis 6:1-4 fornece a narrativa bíblica original. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">7. </b> Finalmente, Judas cita a história de <b class="calibre1">Sodoma e Gomorra</b> para reforçar sua imagem. Essas cidades, através das Escrituras, são simbólicas do juízo divino executado pelo fogo. Assim o seu destino foi uma figura do destino dos crentes professos que não perseveram na justiça. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">8. </b> A irreverência é o pecado principal dos <b class="calibre1">homens ímpios</b> do versículo 4. O sentido da palavra <b class="calibre1">autoridades</b>, ou <i class="calibre3">os gloriosos</i> não está claro; pode se referir aos líderes cristãos. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">9. </b> Judas reforça o seu pedido de reverência citando a história apócrifa de Miguel e o diabo, extraída da pseudoepigráfica Assunção de Moisés. Embora Judas citasse este livro e o de Enoque, não se pode apoiar a inferência de que ele lhe concedesse o status canônico ou historicidade. A moral que Judas aponta é que Miguel mostrou reservas até mesmo em seu relacionamento com o diabo, enquanto os falsos mestres não exibiam reverência por qualquer autoridade. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">10. </b> Faltando a percepção espiritual para reconhecer "os gloriosos", estes homens ímpios os escarneceram. Com ironia Judas destrói a afirmação gnóstica de superioridade espiritual professada por eles, dizendo que eles possuem somente instintos de animais irracionais. O conhecimento adquirido exclusivamente através dos sentidos naturais, e a dependência no mesmo, conduz sem dúvida alguma à destruição. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">11. </b> Judas pronuncia um ai!, empregando novamente uma tríade de exemplos históricos – <b class="calibre1">Caim, Balaão e Coré. </b> Caim é tipo de injustiça, Balaão do espírito da mentira e cobiça (cons. Nm. 22-24) e Coré, da rebelião dos descontentes contra autoridades devidamente constituídas (cons. Núm. 16). Esses tipos de pecados solapam a saúde espiritual de toda a igreja e destroem aqueles que os praticam. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">12. </b> O autor intensifica a condenação dos falsos mestres voltando-se das analogias bíblicas para as naturais, das quais apresenta cinco. <b class="calibre1">Festas </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">de fraternidade</b> eram refeições feitas em conexão com os cultos de adoração ou a Eucaristia, e sua, intenção era aumentar a comunhão cristã dos crentes, fortalecendo seu senso de união com Cristo. Ao que parece os heréticos gnósticos corromperam tais festas em orgias vorazes, pervertendo assim seu propósito. Eles se alimentavam sem se preocupar com o bem-estar espiritual da Igreja. <b class="calibre1">Nuvens sem água</b> descreve especialmente esses homens; não tinham preocupação espiritual, e eram carregados pelo vento como se não tivessem peso. O outono é a estação dos frutos. Mas os falsos mestres não produzem fruto, e tais árvores, estando duplamente mortas, estão destinadas à destruição. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">13. </b> As vidas dos ímpios são como as inquietas <b class="calibre1">ondas bravias do </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">mar, </b> as quais sujam de detritos as praias. Tais vidas, além de produzirem condenação futura, são também motivo presente de vergonha e ignomínia. Por último, Judas descreve os heréticos como <b class="calibre1">estrelas </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">errantes. </b> Ele dá a entender que sua existência é sem alvo e sem utilidade, a qual terminará em eterno esquecimento. Enoque 18:12-16 pode ter influenciado o pensamento de Judas aqui. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">14,15. </b> Nestes versículos surge um problema por causa das citações de Enoque. Judas diz: <b class="calibre1">Enoque, o sétimo depois de Adão. </b> A dificuldade é que Judas, ao que parece, atribui esta profecia do Enoque apócrifo ao Enoque de Gênesis 5. Uma vez que não há citação bíblica de nenhuma profecia de Enoque, ou Judas considerava canônico o Enoque apócrifo, ou cometeu um erro óbvio. Contudo, a solução do problema pode se encontrar no fato de que esta alegada profecia seja uma citação não de uma simples passagem de Enoque, mas de diversas, e é provável que Judas também citasse a frase "o sétimo depois de Adão" de Enoque 60:8. </p>
<p class="calibre2">Assim Judas não estada se referindo ao Enoque de Gênesis 5, mas referindo-se inteiramente, até mesmo na linha introdutória, às palavras encontradas no Enoque apócrifo. Embora a profecia não tenha status canônico, suas predições estão em paralelo com e apoiadas por numerosas passagens bíblicas, tais como Mt. 25:31-46. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">16. </b> Depois de afirmar o destino dos falsos mestres, Judas descreve o caráter deles de três maneiras. São resmungadores, isto é, lamurientos furtivos; são descontentes, cujo único guia é a sua paixão ; e são dados à exibição barulhenta, tendo em vista o seu próprio lucro. A linguagem reflete o pensamento da Assunção de Moisés 5:5. </p>
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<p class="calibre2"><b class="calibre1">III. Exortação aos Cristãos. Judas 17-23. </b></p>
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<p class="calibre2"><b class="calibre1">17. </b> Embora esta carta fosse escrita a cristãos, nos versículos 5-16 Judas definiu os erros dos falsos mestres. Agora volta sua atenção para seus leitores em uma exortação direta. Eles evitarão o erro lembrando-se das palavras proferidas pelos apóstolos de que os falsos mestres apareceriam logo dentro da própria igreja. Com isso poderão devidamente "batalhar pela fé" (v. 3). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">18. </b> II Pedro 3:3 usa linguagem quase idêntica. Ambas as passagens parecem referir-se a uma tradição oral corrente sobre os ensinamentos apostólicos. <b class="calibre1">No último tempo</b> estabelece a atmosfera e destaca que no final da dispensarão as pessoas se caracterizarão por uma desesperada falta de espiritualidade. Escarnecer é ter atitudes ímpias para com as coisas santas, e <b class="calibre1">escarnecedores</b> ( <i class="calibre3">zombadores</i>) não obedecem à lei do Espírito, mas seguem à lei da paixão da carne. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">19. </b> Judas continua sua acusação contra os falsos mestres, enquadrando-os em dois grupos: são divisivos e sem o Espírito de Deus. </p>
<p class="calibre2">O verbo grego, <b class="calibre1">promovem divisões, </b> sugere um estabelecimento de linhas demarcatórias que dão lugar a uru espírito faccioso. Além disso, revela um senso de superioridade da parte destes falsos mestres. Com sutil ironia Judas acusa os gnósticos, que se consideravam espirituais, de não ter o Espírito. Ele afirma que a espiritualidade é uma qualidade de vida produzida pelo Espírito de Deus, e não pelo exercício religioso só conhecido pelos poucos iniciados. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">20. </b> Mais uma vez um desafio direto é feito aos leitores. A pureza de vida começa com a sã doutrina, isto é, a "fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (3). A chave para o significado de <b class="calibre1">edificando-vos</b> se acha na frase seguinte, <b class="calibre1">orando no Espírito Santo. </b> A forte implicação é que os homens verdadeiramente espirituais não são justos aos seus próprios olhos nem desprezam os outros (19), mas aqueles que oram no Espírito Santo. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">21. </b> Arndt usa a seguinte paráfrase: "Guarde-se do perigo do mal, permitindo Deus demonstrar o Seu amor para você no futuro também". </p>
<p class="calibre2">O meio ambiente atual do crente é o amor de Deus e a expectativa futura é a garantia de vida eterna com Cristo Jesus. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">22. </b> O texto grego é de difícil interpretação em Judas 22, 23. No v. 22 o verbo de maior evidência é <i class="calibre3">eleeo</i>, "socorrer", "mostrar compaixão". </p>
<p class="calibre2">O objeto da compaixão é aquele que duvida. Assim, nesta passagem, Judas insiste com os cristãos a atender às dúvidas intelectuais e morais dos afetados pelos falsos mestres. O fim em vista não é a expulsão e condenação dos duvidosos mas sua restauração à comunhão. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">23. </b> Zacarias 3:2-4 pode ter influenciado os pensamentos de Judas aqui, pois ele escreve sobre arrebatá-los <b class="calibre1">do fogo. </b> Fogo sugere paixão sensual, mas é mais plausível que seja uma alusão ao juízo eterno. É difícil saber se o escritor pretendia traçar uma nítida distinção entre as duas classes de pessoas com o duplo uso de <b class="calibre1">alguns</b>, ou simplesmente usou a expressão no sentido enumerativo. Seja como forem entendidas as palavras, a atitude do cristão deve ser de misericórdia para com o pecado, acoplada com ódio pelos pecados dele. </p>
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<p class="calibre2"><b class="calibre1">IV. Bênção. Judas 24, 25. </b></p>
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<p class="calibre2"><b class="calibre1">24,25. </b> Uma das maiores e mais sublimes bênçãos do N.T. é esta que se encontra no final desta curta epístola. Duas outras bênçãos paulinas comparáveis são a de Rm. 16:25 e I Tm. 6:14-16. Vital a todas as exortações feitas aos crentes é o lembrete dos recursos infinitos do próprio Deus, único que tem competência para nos guardar de tropeçarmos nesta vida e atraí-los a Ele próprio no último dia. Ele aperfeiçoará a obra da santificação para que os crentes sejam irrepreensíveis, ou <b class="calibre1">imaculados</b>. Esta palavra faz lembrar a descrição dos animais sacrificados no V.T. Judas 25 ensina as duas coisas, a singularidade de Deus e a igualdade de Jesus Cristo com Deus Pai. </p>
<p class="calibre2">Assim ele milita contra a idéia de que a divindade de Cristo foi uma invenção da igreja pós-apostólica. Deus é chamado sete vezes de <b class="calibre1">Salvador</b> no N.T. Aqui o Seu poder salvador está comprovado na Pessoa do Seu Filho, o qual a Igreja reconhece como "Senhor", isto é, Deus. A última atribuição de glória, majestade, domínio e autoridade é o testemunho de Judas do benevolente caráter de Deus, o qual operou a nossa salvação por meio de Cristo. </p>
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<p class="calibre2"><b class="calibre1">APOCALIPSE </b></p>
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<p class="calibre2"><a href="index_split_000.html#0"><b class="calibre1"> Introdução Capítulo 5 Capítulo 11 Capítulo 17</b></a></p>
<p class="calibre2"><a href="index_split_000.html#0"><b class="calibre1"> Esboço Capítulo 6 Capítulo 12 Capítulo 18</b></a></p>
<p class="calibre2"><a href="index_split_000.html#0"><b class="calibre1"> Capítulo 1 Capítulo 7</b></a><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Capítulo 13 Capítulo 19 </a></b></p>
<p class="calibre2"><a href="index_split_000.html#0"><b class="calibre1"> Capítulo 2 Capítulo 8</b></a><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Capítulo 14 Capítulo 20 </a></b></p>
<p class="calibre2"><a href="index_split_000.html#0"><b class="calibre1"> Capítulo 3 Capítulo 9</b></a><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Capítulo 15 Capítulo 21 </a></b></p>
<p class="calibre2"><a href="index_split_000.html#0"><b class="calibre1"> Capítulo 4 Capítulo 10</b></a><b class="calibre1"> <a href="index_split_000.html#0">Capítulo 16 Capítulo 22 </a></b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">INTRODUÇÃO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Observação. </b> Ao iniciarmos este breve comentário sobre o inexaurível livro final do Cânon do Novo Testamento, provavelmente devemos apresentar dois aspectos do mesmo que serão observados na leitura do mesmo. Em primeiro lugar, guardadas as proporções, foi dedicado mais espaço às questões introdutórias do que normalmente se concede em um comentário, quer seja longo quer breve, deste livro. Isto se fez porque o escritor crê que o estudo do livro do Apocalipse exige mais considerações preliminares do que qualquer outro livro da Bíblia. </p>
<p class="calibre2">Quanto mais o leitor fixar na mente certos princípios fundamentais de interpretação, mais rapidamente compreenderá estes francamente difíceis capítulos. Em segundo lugar, incorporamos nestas páginas uma grande porção de material dos mais importantes comentários sobre o Apocalipse escritos durante o último século, algumas das soberbamente concisas e penetrantes declarações dos grandes mestres da igreja cristã relacionadas com assuntos mencionados no livro. </p>
<p class="calibre2">Há algo quase paradoxal a respeito do livro do Apocalipse. É um volume de reconhecida dificuldade, e no entanto através dos séculos tem sido como um ímã, atraindo irresistivelmente para o seu estudo cristãos de todas as escolas de pensamento, leigos, clérigos e professores. R.H. </p>
<p class="calibre2">Charles está certo quando começou as suas <i class="calibre3">Lectures on the Apocalypse</i> com esta declaração: "Desde a era mais remota da Igreja, tem se admitido universalmente que o Apocalipse é o livro mais difícil de toda a Bíblia" (pág. 1). Calvino recusou-se a escrever um comentário sobre o Apocalipse, e deu-lhe muito pouca importância em seus maciços escritos. Lutero fugiu aos seus ensinamentos durante anos. Ao mesmo tempo, o livro tem compelido homens a prolongados estudos de suas profecias, voltando muitas e muitas vezes para uma reconsideração dos seus temas e para uma nova compreensão de suas revelações. Um só testemunho será suficiente, de alguém que geralmente é reconhecido ter sido o mais talentoso expositor do primeiro quarto de nosso século, G. </p>
<p class="calibre2">Campbell Morgan: "Não há nenhum livro na Bíblia que tenho lido com tanta freqüência, nenhum ao qual tenho tentado dedicar atenção mais paciente e persistente ... Não há nenhum livro na Bíblia ao qual eu me volte mais ansiosamente nas horas de depressão, do que este, com todo o seu mistério, todos os seus detalhes que não compreendo" ( <i class="calibre3">Westminster Bible Record</i>, Vol. 3 [1912 ] 105,109). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A Importância do Livro. </b> 1) As Escrituras do Novo Testamento seriam incompletas, deixariam os leitores em um estado de ânimo mais ou menos depressivo, se este livro não fosse escrito e incluído no Cânon. </p>
<p class="calibre2">Ele não é somente o último livro no arranjo canônico de nossa Bíblia, mas é necessariamente a conclusão das revelações divinas ao homem. </p>
<p class="calibre2">Esta verdade foi brilhantemente apresentada por T. D. Bernard em suas famosas <i class="calibre3">Bampton Lectures for 1864</i>, <i class="calibre3">The Progress of Doctrine in the New Testament</i>. "Não sei como algum homem, terminando as Epístolas, poderia esperar descobrir a história subseqüente da Igreja essencialmente diferente do que ela é. Naquelas obras nos parece, como é na realidade, que não testemunhamos algumas tempestades passageiras que desanuviam a atmosfera, mas sentimos o todo da atmosfera carregado com os elementos da futura tempestade e morte. Cada momento as forças do mal se mostrara mais claramente. Elas são enfrentadas, mas não dissipadas ... As últimas palavras de S. Paulo na segunda Epístola a Timóteo, e as de S. Pedro em sua segunda Epístola, com as Epístolas de S. João e S. Judas, têm a linguagem de um tempo no qual as tendências daquela história expuseram-se distintamente; e nesse sentido essas cartas forma um prelúdio e uma passagem para o Apocalipse. </p>
<p class="calibre2">Assim, chegamos a este livro com lacunas que ele pretende preencher; aproximamo-nos dele como homens, que além de estarmos pessoalmente em Cristo, sabemos o que temos nEle como indivíduos, também, na qualidade de membros do Seu corpo, participamos de uma vida incorporada, no aperfeiçoamento da qual somos aperfeiçoados, e em cuja glória o nosso Senhor está glorificado. Por este aperfeiçoamento e glória esperamos em vão, entre as confusões do mundo, e as formas do mal sempre ativas e mutantes. Qual é o significado deste cenário selvagem? Qual será o seu resultado? E qual a perspectiva que há na realização daquilo que desejamos? Para um estado mental como este, e para as lacunas que envolve, é que esta última parte dos ensinamentos de Deus foram dirigidos, de acordo com aquele sistema de doutrina progressiva que tenho me esforçado em ilustrar, em que cada estágio de progresso resulta numa seqüência natural do efeito daquele que o precede ". </p>
<p class="calibre2">2) De todos os livros da Bíblia, este é aquele que certamente deve ser considerado como o livro do fim dos séculos. E poderia parecer que nestes últimos trinta anos, o mundo Ocidental, incluindo seus estadistas, cientistas, economistas e ensaístas, o têm, consciente ou inconscientemente, reconhecido. Isto é especialmente verdadeiro no que se refere ao uso da palavra <b class="calibre1">apocalipse</b>. Esta palavra tem representado uma era de sublevação, as condições do mundo cheias de terríveis conseqüências, o desencadeamento de grandes poderes que o homem sozinho parece incapaz de controlar. Martin Kiddle, o autor do livro sobre o Apocalipse, no Comentário de Moffatt, refere-se à "notável relevância" da mensagem deste livro "para a igreja nestes nossos dias". É apenas mais um exemplo da sanção divina, e do significado eterno das visões de João. Sempre que há uma crise mundial, sempre que o Estado se exalta e exige uma submissão que os cristãos sabem que não lhe podem dar sem renunciar as suas próprias almas, sempre que a Igreja fica ameaçada de destruição, a fé bruxuleia e os corações são frios, o Apocalipse adverte e exorta, edifica e encoraja todos aqueles que dão atenção a sua mensagem" (pág. xlix). </p>
<p class="calibre2">3) Este é supremamente o livro de um mundo, e certamente agora, no meio deste século vinte, estamos nos aproximando dessa condição de um mundo só. Freqüentemente no Apocalipse encontramos frases tais como estas, "muitos povos, nações, línguas e reis" (10:11; 11:9; 17:15), que sugerem o escopo universal da visão. Quando os reis são apresentados, são "reis do mundo inteiro" (16:14; 17:2, 18; 18:9; 19:19). </p>
<p class="calibre2">De Satanás diz-se que ele é o enganador de "todo o mundo" (12:9). </p>
<p class="calibre2">Todas as nações fornicaram com a meretriz (18:3,23). O boicote econômico imposto pela besta cobre toda a humanidade (13; 16, 17). Na verdade, a besta do mar recebeu "autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação" (13:7); e dá-se dela, "adorá-lo-ão todos os que habitam sobre a terra" (13:8). Há um grande significado no fato de que quando chega o momento de Cristo assumir o Seu lugar de direito como Rei dos reis e Senhor dos senhores, a palavra usada para o governo deste mundo está no singular, "o reino do mundo" (11: 15). </p>
<p class="calibre2">4) Este livro é notavelmente um livro para uma era de perturbação, para um século no qual as trevas se espessarão, o medo se espalhará por toda a humanidade, e poderes monstruosos, ímpios e maus, aparecerão no palco da história (como aparecem neste livro). Mas encontramos nele conforto e estímulo: Deus sabe todas as coisas desde o começo, até mesmo as tribulações do Seu próprio povo. Contudo, o final deste conflito, a perseguição, a tribulação, o martírio, será determinado por Cristo, quando Ele, finalmente for vitorioso. O pecado e Satanás e toda a corte de Satanás serão derrotados para sempre; e os crentes estarão com o Filho de Deus na glória para sempre. </p>
<p class="calibre2">5) Mesmo se todas essas coisas não fossem verdadeiras, e especialmente verdadeiras para o nosso século, não deveríamos nos esquecer de que é o único livro da Bíblia que enuncia uma bem-aventurança para o que ouve, lê e obedece as suas palavras: aventurados aqueles que lêem, e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardara as cousas nela escritas" (1: 3; 22: 7). </p>
<p class="calibre2">6) Finalmente, é neste livro que alguns dos maiores temas da revelação divina são concluídos dramaticamente. Aqui as profecias referentes a Cristo, o Rei dos reis, são desdobradas em sua plenitude, e se cumprem. Aqui, palavras tais como <b class="calibre1">tabernáculo, templo, paraíso, </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Babilônia, </b> etc., assumem sua conotação espiritual suprema. Aqui todas as promessas de uma vida em glória concentram-se no quadro maravilhoso da Cidade Santa. Temos aqui o destino final de Satanás, do Anticristo, os falsos profetas e todos os inimigos de Deus. Aqui os reis rebeldes do Salmo 2 encontram-se finalmente sob os pés do Cordeiro de Deus. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Autor. </b> Através dos séculos algumas dúvidas têm sido lançadas sobre a autenticidade deste livro. Neste comentário não há espaço para a exposição dos argumentos levantados contra a autoria joanina, mas temos de considerar os fatos que atestam que o Apóstolo João é o autor: 1) Quatro vezes neste livro o nome do autor foi inserido (1:1, 4, 9; 22:8). </p>
<p class="calibre2">2) Até a primeira metade do século II, era convicção da Igreja de que João era o autor. Justino Mártir declara francamente: "E conosco um homem chamado João, um dos apóstolos de Cristo, que na revelação que lhe foi dada... " ( <i class="calibre3">Dialogue with Trypho the Jew</i>, cap. 81). O grande historiador Eusébio repetidamente atribuiu o livro a João ( <i class="calibre3">Ecclesiastical History</i>, III, xxiv, xxxix); do mesmo modo Tertuliano (Contra Marcion 3:14, 24). </p>
<p class="calibre2">3) Sejam quais forem as peculiaridades gramaticais deste livro, existem inumeráveis semelhanças entre o vocabulário do Evangelho de João e o do Apocalipse. "Um elo importante que une estas obras", destaca Gloag, "é a aplicação do termo Logos a Jesus Cristo. Este termo é sem dúvida joanino; não foi empregado em nenhum outro lugar das Escrituras, e contudo aparece no Apocalipse: 'Está vestido com um manto tinto de sangue; e o seu nome se chama o verbo de Deus' (A. </p>p
<p class="calibre2">19:13). Da mesma forma a palavra 'o Cordeiro', não simplesmente como emblema ou símbolo de Cristo, mas o próprio Cristo, é peculiar a João; como quando no Evangelho se diz 'Eis o Cordeiro de Deus', e no Apocalipse, 'Então vi, no meio do trono e dos seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tinha sido morto' (5:6). É verdade que a palavra grega é diferente, <i class="calibre3">ho amnos</i> usado no Evangelho e <i class="calibre3">to amion</i> no Apocalipse, mas a idéia de que Jesus Cristo é o Cordeiro é comum a ambos. A palavra <i class="calibre3">alethinos</i>, 'aquilo que é verdadeiro', foi usada dez vezes no Apocalipse, nove vezes no Quarto Evangelho, quatro vezes na Epístola, e apenas uma vez nas Epístolas paulinas. Da mesma forma, 'aquele que vence' ( <i class="calibre3">nikos</i>), uma expressão favorita na Epístola, aparece muitas vezes no Apocalipse, como por exemplo na conclusão das cartas às sete igrejas e em outras passagens da obra: 'O vencedor herdará estas cousas' (21:7). O verbo <i class="calibre3">skênoô</i>, 'tabernacular', que só se encontra nas obras joaninas, foi usado no Evangelho, com evidente referência ao Shequiná, do Logos tabernaculando entre os homens (1:14), e foi quatro vezes empregado no Apocalipse com referência a Deus. 'Eis o tabernáculo de Deus com os, homens, Deus habitará com eles (tabernaculará)' (21:3)" (P.J. Gloag, <i class="calibre3">Introduction to the Johannine Writings</i>, pág. 306, 307). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A Data da Composição. </b> São duas as grandes opiniões relativas à ocasião em que este livro foi escrito. Alguns a colocaram no reinado de Nero, na sétima década do primeiro século. Mas devido a muitas razões, parece-nos que é demasiado cedo. O veredito unânime da igreja primitiva era que o apóstolo João foi banido para a Ilha de Patmos pelo imperador Domiciano (81 a 96 A.D.), colocando alguns escritores o exílio no ano décimo quarto do seu reinado, 95 A.D. (Uma evidência antiga para isto encontra-se em Revere F. Weidner, <i class="calibre3">Annotations on the Revelation of St. John the Divine</i>, pág, xiv-xvii). </p>
<p class="calibre2">O Apocalipse revela claramente que foi escrito em uma ocasião de grande perseguição. A perseguição sob Nero foi mais ou menos limitada a Roma, mas sob Domiciano alcançou outras partes do império romano. </p>
<p class="calibre2">Domiciano baniu homens a diversos locais de exílio, mas Nero não o fez. Mais ainda, as sete igrejas da Ásia aqui demonstrara um desenvolvimento maturo, que facilmente existiria em data tão precoce com 65 A.D. Além disso, não temos evidência nenhuma de que o apóstolo exercesse qualquer autoridade sobre as igrejas da Ásia antes da destruição de Jerusalém. Com tal ponto de vista concordam escritores tais como Lange, Alford, Elliott, Godet, Lee, Milligan e outros. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Título do Livro. </b> A palavra Revelação deriva do latim <i class="calibre3">revelatio</i> (de <i class="calibre3">revelare</i>, "revelar ou tirar o véu daquilo que estivera previamente escondido"). Este era o título conferido ao livro na Vulgata Latina. O título grego é <b class="calibre1">Apocalipse</b>, extraído diretamente da primeira palavra do texto grego, <i class="calibre3">apocalypsis</i>. Nesta forma substantiva a palavra não se encontra em nenhuma outra obra da literatura grega, mas como verbo foi continuamente usada nos Evangelhos e nas Epístolas, de maneiras variadas, especialmente com referência a algumas formas da revelação divina ao homem (como o Filho do Homem, em Lc. 17:30). Foi usada por Paulo referindo-se ao mesmo evento futuro (Rm. 8:18; I Co. 1:7; II Ts. 1:7), e freqüentemente em I Pedro (1:7, 13; 4:13; 5:1). No texto grego de Daniel esta palavra encontra-se muitas vezes com referência à revelação de segredos, ou interpretação de sonhos, ou revelação de Deus (veja Dn. 2:19, 22, 28, 29, 30, 47; 10:1; 11:35). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Tema. </b> O Apocalipse é um livro profético. Na sua revelação do futuro, enfatiza particularmente as repetidas e crescentes tentativas violentas e mundiais de personalidades e pessoas terrenas, ativadas e dirigidas por poderes demoníacos e lideradas por Satanás, de se oporem e evitarem a execução da declarada intenção de Cristo de estabelecer o Seu reino sobre a terra. Está claro que este conflito certamente acabará com a derrocada dessas forças do mal e o estabelecimento do reino eterno de Cristo. Este conflito secular, envolvendo na guerra até os céus, compõe-se de uma série de ardis da parte dos inimigos de Cristo para derrotar o Rei dos reis. Cada tentativa resulta em fracasso, seguido por terrível juízo divino. E o longo conflito terminará no juízo diante do Grande Trono Branco, com o aparecimento da Nova Jerusalém, e o começo da eternidade. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Um Livro de Visões. </b> O livro do Apocalipse, acima de todos os outros livros da Bíblia, é um registro do que foi revelado em visões ao autor. Todos nós sabemos como às vezes se torna difícil registrar o que <i class="calibre3">vimos</i>, especialmente quando a visão é espetacular. Como poderia alguém descrever adequadamente um pôr-de-sol glorioso, ou a majestade dos Alpes? Os muitos e diferentes verbos gregos significando "ver", "observar", ou "perceber", aparecem 140 vezes neste livro, começando com "o que <b class="calibre1">vês</b>, escreve em livro" (1:11). Imediatamente após João diz: "Voltei-me para ver quem falava comigo, e voltado, <b class="calibre1">vi</b>", etc. (v. 12). No começo do capítulo 4, ouve-se uma voz do céu dizendo a João, "Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas" (4:1). Deste ponto para frente, há inúmeros parágrafos, até o final do livro, que começam com "e vi". </p>
<p class="calibre2">Não somente temos aqui uma série de visões, mas o livro está saturado de linguagem simbólica, e estes símbolos devem receber consideração especial. Especialmente isto acontece em relação aos números. Em primeiro lugar, há uma constante repetição do número sete. </p>
<p class="calibre2">Quanto ao simbolismo dos números no livro, inserimos aqui os concisos e compreensíveis resumos de Moorehead e Weidner: "Este número (sete) não foi empregado apenas para indicar muitos objetivos individuais", explica Moorehead, "mas penetra grandemente em todo o plano do livro. </p>
<p class="calibre2">Sete é o número da inteireza, da perfeição, e da plenitude dispensacional. </p>
<p class="calibre2">Todos os leitores sabem que são quatro os grupos de sete que cobrem uma considerável seção do livro. Há as sete mensagens às sete igrejas (caps. 2, 3). A visão dos sete selos, que abrange 6-8:1 (com um episódio entre o sexto e o sétimo da série, a saber vii). A visão das sete trombetas, 8:2-11,16 (com um episódio entre a sexta e a sétima, 10-11:13). A visão das sete taças, 15:5-16. Assim quase metade do livro pertence a esta série quádrupla ... Penetra em passagens onde não é mencionada diretamente. Assim, em 5:12, os sete atributos de louvor são conferidos ao Cordeiro que foi morto; o grupo vestido de branco em 7:12 adora a Deus com o mesmo número de atribuições. O capítulo 14:1-20 consiste de sete partes, isto é, o Cordeiro com o seu glorioso grupo no monte Sião; o evangelho eterno; a queda de Babilônia; a solene ameaça contra qualquer comunhão com a Besta; porção feliz daqueles que morrem no Senhor doravante; a colheita; a vindima. Além disso, o capítulo menciona seis anjos, e Um como o Filho do Homem – três anjos de cada um de seus lados, e Ele está no meio, presidindo sobre os grandes acontecimentos. O clímax da série está no número quatro, onde Ele está assentado sobre a Nuvem branca. Os 'sete Espíritos que se acham diante do seu trono' (1:4) expressam a perfeição infinita do Espírito Santo. As 'sete estrelas' na mão direita de Cristo (1:16) indicam a autoridade completa que Ele tem sobre as igrejas. O Cordeiro tem 'sete chifres e sete olhos' (5:6), que indicam todo o poder, a inteligência suprema e a onisciência perfeita com a qual Ele está dotado" (Wm. G. Moorehead, <i class="calibre3">Studies in the Book of Revelation</i>, pág. 30-32). </p>
<p class="calibre2">"A metade de sete, no Velho Testamento", diz Weidner, "indica tempo de tribulação. Aparece de várias maneiras, tanto no Velho como no Novo Testamento. A fome no tempo de Elias durou três anos e meio (I Reis 17:1; Lc. 4:25; Tg. 5:17); o mesmo período é o 'um tempo, dois tempos e metade dum tempo' de Dn. 7:25 e Dn. 12:7; 'a metade da semana' mencionada em Dn. 9:27. Este mesmo período de tempo aparece no Apocalipse sob a forma de quarenta e dois meses (Ap. 11:2; 13:5) ou 1.260 dias (Ap. 11:3; 12:6), ou 'um tempo, e tempos, e metade de um tempo' (Ap. 12:14). As <b class="calibre1">duas testemunhas</b> também permaneceram mortas 'por três dias e meio' (Ap. 11:9, 11). Este número imperfeito é, portanto, um símbolo de grande significado, e tem sido aceito como a 'assinatura' da aliança violada ou do sofrimento e desastre... <b class="calibre1">Dez</b> é a representação simbólica da perfeição absoluta e desenvolvimento completo, tanto referindo-se a Deus quanto ao mundo. </p>
<p class="calibre2">É a 'assinatura' de um todo completo e perfeito. Dez é o número dos Mandamentos; o Santo dos Santos era um cubo de 10 cúbitos de cada lado; dez vezes dez, ou 100, é o número do Rebanho de Deus (Lc. 15:4, 7); e o cubo de dez, ou 1.000, é a duração do reinado dos santos (A. </p>p
<p class="calibre2">20:4). A <i class="calibre3">décima</i> geração significa 'para sempre' (Compare Dt. 23: 3 com Ne. 13:1). <b class="calibre1">Dez</b> é também o número da perfeição do mundo, simbolizando o poder perfeito. As dez pragas do Egito simbolizavam o derramamento completo da ira divina; a quarta besta de Daniel tinha dez chifres (Dn. 7:7, 24); o Dragão Vermelho do Apocalipse tem dez chifres (Ap. 12:3), como também a Primeira Besta ou o Anticristo (Ap. 13:1). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Doze</b> é, enfaticamente, o número que se refere ao reino de Deus, a 'assinatura' de Deus (três) multiplicada pela 'assinatura' do mundo (quatro). Lee acha que enquanto <b class="calibre1">sete</b> é o número sagrado das Escrituras, <b class="calibre1">doze</b> é o número do Povo da Aliança em cujo meio Deus habita, e com quem Ele travou as relações da Aliança. <b class="calibre1">Doze</b> são as tribos de Israel: havia duas vezes <b class="calibre1">doze</b> grupos de sacerdotes; quatro vezes <b class="calibre1">doze</b> cidades dos levitas; <b class="calibre1">doze</b> é o número dos apóstolos; duas vezes <b class="calibre1">doze</b> é o número dos anciãos que representaram a Igreja Redimida; a mulher de Ap. 21:1 tinha uma coroa de <b class="calibre1">doze</b> estrelas em sua cabeça; a Nova Jerusalém tem <b class="calibre1">doze</b> portões (Ap. 21:12), o muro da cidade tem <b class="calibre1">doze</b> fundamentos (21:14) e a árvore da vida produz <b class="calibre1">doze</b> nomes de frutos (22:2)" (Weidner, <i class="calibre3">op, cit. </i>, pág. xxxix, xl). </p>
<p class="calibre2">No simbolismo das cores, branco é destacadamente a cor da inocência, pureza e justiça, como também da idade espiritual, maturidade e perfeição; o preto indica fome, desespero, sofrimento; o vermelho, cor de sangue, pode indicar, como o próprio sangue, a guerra, o homicídio ou a morte sacrificial; o roxo é a cor da realeza ou do ócio voluptuoso; e o amarelo é a cor da vida que se esvai e do reino da morte (6;8). (Veja o excelente exame do simbolismo das cores em John Peter Lange, <i class="calibre3">The Revelation of St. John</i>, pág. 16-18). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Vocabulário. </b> Há 916 diferentes palavras no texto grego do Apocalipse; dessas, 416 são também encontradas no Quarto Evangelho; 98 aparecem só uma vez em outras passagens do Novo Testamento; enquanto há 108 palavras que não se encontram em nenhuma outra passagem do Novo Testamento. Aqui há muitas palavras que falam de autoridade. Por exemplo, a palavra para trono ocorre 44 vezes; <b class="calibre1">rei, reino</b> e <b class="calibre1">governo</b>, 37 vezes; <b class="calibre1">autoridade</b> e <b class="calibre1">poder</b>, 40 vezes. As muitas palavras traduzidas para <b class="calibre1">ver</b>, <b class="calibre1">perceber</b>, etc., aparecem perto de 150 vezes. As palavras que significam escrever, e o resultado da escrita, isto é, um <b class="calibre1">livro</b>, são encontradas 60 vezes. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Uso do Velho Testamento no Apocalipse. </b> Este último livro da Bíblia forma um mosaico espantoso, como se vê, de temas do Velho e Novo Testamento. No apêndice ao <i class="calibre3">Greek New Testament</i>, de Westcott e Hort (pág. 184-188), estima-se que dos 404 versículos deste livro, 265 contenham linhas que abrangem aproximadamente 550 referências de passagens do Velho Testamento; há 13 referências a Gênesis, 27 a Êxodo, 79 a Isaías, 53 a Daniel, etc. Muitos concordariam com o falecido Professor Briggs que "o discurso escatológico de Jesus (Mt. 24:25; Mc. 13; Lc. 21) é, segundo o nosso pensar, a chave do Apocalipse. Este livro é a obra de um judeu saturado das profecias do Velho Testamento, sob a orientação da palavra de Jesus e a inspiração de Deus. É o clímax da profecia do Velho e Novo Testamentos". </p>
<p class="calibre2">Esta extensa incorporação do material do Velho Testamento vê-se em grandes seções, versículos separados e frases individuais. Assim, a descrição da Babilônia, no capítulo 18, tem paralelos incontáveis com Jeremias 51 . As duas bestas do capítulo 13, com seus dez chifres que são dez reis, derivam diretamente das visões da besta de Dn. 7, 8. A visão das duas oliveiras e dos dois castiçais (cap. 11) é uma reconstrução da visão de Zacarias (Zc. 4). Os períodos de tempo no livro do Apocalipse derivam de Daniel, como o tempo, dois tempos e a metade de um tempo (12:14, de Dn. 12:7). Muitos dos juízos das trombetas são espantosamente paralelos às pragaS do Egito, as quais vamos considerar em alguns detalhes na exposição da passagem. Até mesmo no primeiro capítulo, o versículo 6 refere-se a Êx. 19:6; versículo 7 a Dn. 7:13 e Zc. 12:10, 12; o versículo 14 consiste de duas passagens extraídas de Dn. 7:9, 13; 10:5. O versículo 15 deriva de Dn. 10:6; Ez. 1:24; o versículo 16 de Is. 11:4; 49:2; o versículo 17 de Is. 44:6; 48:12; e o versículo 18 de Is. 38:10. Muitos dos títulos da divindade usados neste livro encontram seus originais no Velho Testamento: "o Todo-Poderoso" de 1:8, etc. em Gn. 17:1; "o Alfa e o Ômega", idem. (Um bom capítulo sobre este assunto encontra-se em Merrill C. Tenney, <i class="calibre3">Interpreting Revelation</i>, pág. 101-116). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">A Relação do Apocalipse com o Discurso no Jardim das </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Oliveiras. </b> Todos concordariam que são muitas as linhas de pensamento no Apocalipse que têm forte semelhança com os assuntos mencionados no Discurso que Nosso Senhor fez no Jardim das Oliveiras. Alguns o têm levado longe demais, é o que me parece, e têm forçado o Apocalipse dentro de um molde construído com a divisão tripla do Discurso das Oliveiras. Os acontecimentos do Discurso podem Ser divididos cronologicamente em três períodos – pré-Tribulação, Tribulação e pós-Tribulação. Seria difícil formar um esboço semelhante para o livro do Apocalipse. Entretanto, há muitas passagens paralelos, particularmente aquelas que descrevem as perturbações físicas e econômicas que terão lugar ao se aproximar o fim dos tempos, como por exemplo Lc. 21:9-11. </p>
<p class="calibre2">Guerra, fome, postes e terremotos aparecerão nos quatro primeiros juízos dos selos; guerras, freqüentemente, de Ap. 16:12 até o fim do capítulo 19, e terremotos em 16:18 e 18:8. A questão do martírio, conforme Lc. 21:12-16, aparece freqüentemente no livro, como em Ap. 6:9-11; 11:7-10; 13:7, 15; 16:6; 17:6; 18:24. A Grande Tribulação é mencionada em 7:14. Os falsos cristos e falsos profetas aparecem em sua forma final no capítulo 13. Os distúrbios celestes de Lc. 21:25-28 estão em Ap. 6:12-14 e segs. A vinda do Filho do Homem é anunciada em Ap. 1:7 e é consumada quando a Palavra de Deus desce do céu por ocasião da batalha do Armagedom. (Para exame deste assunto, veja meu livro, <i class="calibre3">A Treasury of Books for Bible Study</i>, pág. 235-242. Há alguns anos atrás Henry W. Fost escreveu todo um livro sobre este assunto, <i class="calibre3">Matthew Twenty-Four and the Revelation</i>, Nova Iorque, 1924.) <b class="calibre1">O Princípio da Antecipação. </b> Através de todo este livro, muitas e muitas vezes, o autor usa aquilo que é conhecido por prolepse; isto é, logo no começo do livro ele usa uma frase que reaparece mais tarde, e geralmente mais desenvolvida. Assim, por exemplo, Cristo é chamado de "a fiel testemunha" no começo (1:5), mas reaparece como a Testemunha Fiel em 3:14;17:6; 20:4. Inicialmente recebe o título de "soberano dos reis da terra" (1:5). Mas quando nos aproximamos do final dos séculos, quando as prerrogativas deste título vão ser realmente exercidas, encontramo-Lo novamente assim designado (17:14; 19:16). </p>
<p class="calibre2">No começo anuncia-se (1:6) que Cristo nos fez reis e sacerdotes; mas isto volta a aparecer no final do livro (20: 6). Do mesmo modo o título, "o Alfa e o Ômega", que se encontra no começo (1:8) e no final (21:6; 22:13), como também o título, "o Todo-Poderoso" (1:8; 19:6, 15; 21:22). </p>
<p class="calibre2">A ordem de guardar as palavras desta profecia foi dada na introdução, mas essa é exatamente a ordem que encontramos repetidamente no final do livro (22:7, 10, 18). </p>
<p class="calibre2">As promessas feitas aos crentes nas sete epístolas dos capítulos 2 e 3 reaparecem com espantosa reiteração quando as grandes lutas sobre a terra terminam, e os filhos de Deus estão na glória da ressurreição da Nova Jerusalém. Assim, a promessa da "árvore da vida" (2:7) encontra-se novamente bem no final do livro (22:2, 14). Livramento da segunda morte está prometido aos fiéis de Esmirna (2:11) e torna a ser citado no Último Juízo (20:6,14). "O Espírito" declara, na quarta epístola, que Cristo governará as nações "com vara de ferro" (2:27); e isto é exatamente o que se diz da batalha do Armagedom (19:15). A promessa da "estrela da manhã" àqueles que são fiéis (2:28) reaparece em 22:16. A idéia de andar com Cristo "de branco" não apresentada apenas aos fiéis de Sardes e Laodicéia, mas também aos crentes no fim dos tempos (3:4, 5,18; 19:14). O "livro da vida" (3:5) reaparece quatro vezes, começando com o período da tribulação (13:8; 17:8; 20:12, 15; 21:27). À cidade de Filadélfia foi feita uma promessa quádrupla (3:12), cada frase da qual reaparece no final do livro: "Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus ... gravarei também sobre ele o nome do meu Deus (22: 4), o nome da cidade do meu Deus (21:2, 10), a nova Jerusalém... (21:2, 10), e o meu novo nome". Finalmente, a promessa aos vencedores de Laodicéia, que se assentarão com Cristo no Seu trono, reaparece no começo da descrição da Nova Jerusalém (20:4). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Alternando Cenas do Céu e Cenas da Terra. </b> Um fator fundamental deste livro, muitas vezes ignorado pelos comentadores, é de grande ajuda na compreensão destes capítulos quando reconhecido. Isto é, muitas cenas deste livro estão localizadas no céu, enquanto os juízos propriamente ditos têm lugar na terra; e as cenas no céu sempre precedem os acontecimentos terrenos aos quais estão relacionados. </p>
<p class="calibre2">Assim, as mensagens às sete igrejas são precedidas por uma visão do Senhor que ascendeu ao céu. A abertura dos seis selos no capítulo 6 é precedida pela visão do Cordeiro no céu, digno de abrir o livro (caps. 4, 5). Os juízos que acompanham o tocar das sete trombetas são precedidos por uma cena celeste que se estende de 7:1 a 8:5. Os terríveis acontecimentos dos capítulos 11; 12; 13 são novamente precedidos por uma cena celestial de instruções para João. As devastações que acompanham as sete pragas (caps. 15; 16) são precedidas por avisos dos anjos e a exibição do "templo ... no céu". E, depois do juízo final do capítulo 20, o livro conclui com um quadro do lar celestial dos redimidos. </p>
<p class="calibre2">Sempre senti que existem duas grandes verdades a serem extraídas deste fenômeno. Primeiro, o que vai acontecer na terra, embora desconhecido pelo homem e inesperado para ele, é inteiramente conhecido àqueles que estão no céu – o Senhor que ascendeu ao céu, os anjos, os vinte e quatro anciãos, as criaturas viventes e os outros. Em segundo lugar, o que vai acontecer na terra está sob completo controle e direção do céu, de modo que podemos dizer com segurança, a julgar deste livro, como também de outros livros proféticos das Escrituras, que tudo que acontece na terra apenas cumpre a Palavra de Deus. Este princípio é notavelmente apresentado nos avisos preliminares referentes aos reis da terra que fazem guerra contra o Cordeiro. Embora leiamos a respeito de dez reis satanicamente inspirados, tendo uma só mente e concedendo seu poder e autoridade à besta (17:12,13), não obstante, é Deus que "tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia, e que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus" (17:17). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Livro do Juízo. </b> Desde o começo deste livro até quase o fim, devemos sempre ter em mente o fato de que o livro de Apocalipse é. um livro de juízo, portanto, um livro envolvendo destruição, devastação, morte, dor, tribulação. A própria descrição do Senhor Jesus quando Ele está para enviar mensagens às igrejas contém alguns fatores que indubitavelmente falam de juízo - olhos "como chama de fogo", pés "semelhantes a latão reluzente", de cuja boca "saía uma aguda espada de dois fios". As passagens seguintes tratam especialmente deste tema do juízo: 6:16, 17; 11:17, 18; 14:7, 10; 16:5, 7; 18:8, 10, 20; 19:2 e 20:11-15. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Canonicidade. </b> A Igreja Ocidental desde logo creu que o livro do Apocalipse devia ser incluído entre os livros canônicos do Novo Testamento, e ele era publicamente lido nas igrejas. Mas a Igreja Oriental parecia relutante em adotar a mesma posição, e não concordou com a canonicidade do Apocalipse até o século IV. O Cânon Muratoriano, compilado em cerca de 200, inclui o livro em sua lista. </p>
<p class="calibre2">Pelos meados do século III, o Bispo de Alexandria aceitou o livro como canônica. Foi omitido na Versão da Vulgata Siríaca. O Terceiro Concílio de Cartago (397) aceitou o livro como canônico, e todo o volume aparece nos manuscritos primitivos, no Códex Sinaítico, no Códex do Vaticano e no Códex Alexandrino. Lutero errou grandemente em colocar o livro do Apocalipse junto às epístolas de Tiago, Judas e Hebreus, em um apêndice. Há séculos a Igreja Protestante universal e as Igrejas Oriental e Ocidental concordaram que é uma obra canônica. (Todo este assunto foi examinado com grande minuciosidade no volume de Ned B. </p>
<p class="calibre2">Stonehouse, <i class="calibre3">The Apocalypse in the Ancient Church</i>, Goes, Holland, 1929.) <b class="calibre1">As Quatro Principais Escolas de Interpretação. </b> O livro do Apocalipse é a única grande porção da Palavra de Deus em relação à qual desenvolveram-se quatro diferentes sistemas básicos de interpretação. O sistema de interpretação que um estudante da Bíblia adota fará uma grandíssima diferença naquilo que crê que o livro ensina. </p>
<p class="calibre2">1) <b class="calibre1">O Esquema Espiritual de Interpretação. </b> Desde os dias de Agostinho, sempre existiram alguns mestres da Bíblia que têm insistido que o propósito deste livro não é instruir a igreja quanto ao futuro, não é predizer acontecimentos específicos, mas simplesmente ensinar princípios espirituais fundamentais. Este é o ponto de vista repetidas vezes expresso por Milligan (W. Milligan, <i class="calibre3">Lectures on the Apocalypse</i>), embora às vezes ele se contradiga. Ele diz em um lugar: "O Apocalipse trata de maneira distinta e enfática da Segunda Vinda do Senhor". Gloag insiste sobre o mesmo ponto de vista: "O livro tem a intenção de nos ensinar a história espiritual da Igreja de Cristo, advertir-nos dos perigos espirituais aos quais estamos expostos, informar-nos das tentações espirituais às quais estamos sujeitos, descrever a controvérsia com o mal, e confortar-nos com a certeza da vitória final de Cristo sobre os poderes das trevas". </p>
<p class="calibre2">Bem, tudo isto é verdade. O livro ensina princípios e princípios espirituais; ele transmite uma mensagem de conforto na sua certeza da vitória final de Cristo. Mas tudo no livro contradiz o ponto de vista de que não apresenta o futuro profético. O próprio livro proclama-se profecia genuína. "O mal", conforme diz Moorehead, "sempre procura se concentrar em uma pessoa ou sistema; assim também o bem. O Apocalipse nos mostra o mal centralizado na besta e no falso profeta". </p>
<p class="calibre2">Certamente a volta de Cristo está neste livro, e esta é uma profecia de um acontecimento futuro; do mesmo modo, a ressurreição dos crentes e o julgamento diante do Grande Trono Branco. (Este é o ponto de vista mantido pela maioria dos comentadores da fé reformada, Peters e outros.) 2) <b class="calibre1">O Esquema Preterista de Interpretação</b>. Este sistema de interpretação do Apocalipse insiste em que o autor só descreve acontecimentos que aconteceram na terra, dentro do Império Romano, durante os seus dias de vida, especialmente aproximando-se do fim do primeiro século. Este é um ponto de vista principalmente desenvolvido no século XVII, por Alcazar, um mestre jesuíta, numa tentativa de replicar aos argumentos da Reforma, que insistiam que o livro predizia a corrupção e declínio da Igreja Católica Romana, especialmente nos dois capítulos dedicados à Babilônia. A opinião de Alcazar foi adotada por um bom número de escritores modernos – Moses Stuart, A.S. Peake, Moffatt, Sir William Ramsay, Simcox e outros. Estes homens defendem que o governante cuja ferida modal foi curada é Nero, e que Domiciano foi a besta do capítulo 13. É verdade que a opinião preterista deve ser aplicada em nossa interpretação das sete igrejas. </p>
<p class="calibre2">Mas dizer que o restante do livro refere-se apenas a acontecimentos do primeiro século é na verdade negar o seu caráter profético, forçando muitas de suas declarações dentro de um molde pequeno demais para contê-las. Conforme Milligan disse: "Toda a atmosfera do livro leva à conclusão oposta. Trata de muita coisa que vai acontecer até o fim dos tempos, até a hora do clímax da luta da Igreja, da consecução total de sua vitória e do total alcance do seu repouso. O Apocalipse revela distintamente que está preocupado com a história da Igreja até que ela entre na posse de sua herança celestial" ( <i class="calibre3">op. cit. </i>, pág. 41). </p>
<p class="calibre2">3) <b class="calibre1">O Esquema Historicista de Interpretação. </b> Na história da interpretação do Apocalipse, provavelmente maior é o número de nomes ligados a este esquema do que a qualquer outro ponto de vista, com exceção do futurista. De acordo com este conceito, o livro do Apocalipse, especialmente na profecia dos selos, das trombetas e das taças, apresenta eventos particulares da história do mundo que se relacionam com o bem-estar da Igreja <i class="calibre3">desde o primeiro século até os tempos modernos</i>. A maior das obras baseadas nesta teoria é o estudo em quatro volumes feito por Elliott (E.B. Elliott, <i class="calibre3">Horae Apocalypticae</i>), que pode ser considerada como uma ilustração deste esquema. Ele diz que os juízos das trombetas cobrem o período de 395 a 1453, que a primeira trombeta se refere à invasão dos godos, a terceira dos hunos sob o comando de Átila, a quinta das hordas maometanas que se derramaram pelo Ocidente no sexto e sétimo século, etc. Temos outra ilustração na famosa obra de Mede que diz que o sexto selo prediz a derrocada do paganismo sob Constantino, que a segunda taça se refere a Lutero, que a terceira se relaciona com os acontecimentos do reinado da Rainha Elizabeth I, etc. Muitos daqueles que pertencem a esta escola insistem que o terremoto mencionado em 11:19 refere-se à Revolução Francesa; outros encontram Napoleão Bonaparte no livro do Apocalipse, etc., etc. </p>
<p class="calibre2">Agora, deixando de lado todas as outras objeções a este esquema, temos de admitir que ele não oferece nenhum princípio ou critério fundamental pelo qual sejamos capazes de determinar quais são exatamente os acontecimentos históricos mencionados em determinada passagem. E isto tem levado a um vasto pântano de confusão e contradição entre os que defendem este ponto de vista. </p>
<p class="calibre2">Milligan, numa forre crítica a todo esse esquema, diz: "Podemos realmente admitir que os acontecimentos nele encontrados pelo intérprete histórico teriam sido instrutivos ou consoladores para o cristão primitivo, se ele fosse capaz de compreendê-los inteiramente. Mas a verdadeira dificuldade está nisto, que tal compreensão era impossível naquele tempo ... Enquanto inúteis aos homens que aS receberam de primeira mão, as visões do Apocalipse teriam sido, dentro deste sistema, igualmente inúteis ao grande corpo da Igreja Cristã, mesmo depois de cumpridas, e seu cumprimento reconhecido por alguns poucos pesquisadores competentes. Os pobres e os iletrados sempre souberam, e provavelmente sempre saberão, pouca coisa dos acontecimentos históricos supostamente aludidos no livro. Faria parte do plano divino tomar a compreensão de uma revelação tão insistentemente recomendada dependente de um conhecimento da história eclesiástica e política do mundo nas centenas de anos passados? A própria suposição é absurda. É inconsistente com a primeira promessa do livro, "Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia!" ... A seleção dos acontecimentos históricos feita pelo sistema é altamente arbitrária, e não Se pode dizer que corresponda ao grau de importância que os tais acontecimentos tenham vindicado para si mesmos no decorrer da história" ( <i class="calibre3">op. cit. </i>, pág. 131). </p>
<p class="calibre2">4) <b class="calibre1">O Esquema Futurista de Interpretação. </b> Dificilmente poderia se duvidar de que o Apocalipse é um livro de profecias preditivas. Negá-lo seria ignorar o estilo, o tema e os acontecimentos futuros do Apocalipse. Certamente o Segundo Advento, o conflito final de Cristo com as forças do mal, o Milênio, o juízo final, são ainda acontecimentos futuros. O esquema futurista de interpretação insiste que, na grande maioria, as visões deste livro se realizarão no final desta dispensação. A escola futurista foi há muito, excelentemente definida, como o esquema que "aguarda o cumprimento dessas predições, não nos primeiros acontecimentos e heresias da igreja, nem na longa série dos séculos desde as primeiras pregações do Evangelho até agora, mas nos acontecimentos que precederão de perto, acompanharão e se seguirão ao Segundo Advento de nosso Senhor e Salvador" ( <i class="calibre3">Lectures on the Apocalypse</i>, pág. 68). </p>
<p class="calibre2">É estranho encontrar Gloag (em 1891) dizendo que "este sistema não tem muitos adeptos" (op. cit., pág. 372). O fato é que tem muitos adeptos entre os quais se encontram destacados expositores bíblicos dos tempos modernos e alguns dos mais notáveis estudantes das profecias. </p>
<p class="calibre2">Entre eles estão Todd, Benjamin Wills Newton, Seiss, William Kelly, Peters, praticamente todos aqueles que escreveram dentro da atmosfera dos Irmãos de Plymouth, como, por exemplo, S. P. Tregelles, Nathaniel West, A.C. Gaebelein, Scofield, Moorehead, Walter Scott, Alford e outros. Theodor Zahn, no seu notável comentário sobre o Apocalipse (ainda não traduzido para o inglês), assume a posição futurista, e Zahn é reconhecido como o maior dos mestres conservadores do Novo Testamento da Europa no final do século XIX. Simcox, que não é futurista, admite francamente que "desde o tempo de Tertuliano e Hipólito – sem falar de Justino e Irineu – temos uma consistente expectativa no curso dos acontecimentos que precederão o juízo final" (G. A. Simcox, <i class="calibre3">The Revelation of St. John the Divine</i>, em CBSC, pág. </p>
<p class="calibre2">xliv). </p>
<p class="calibre2">Existe, é claro, um futurismo extremo que deve ser enfaticamente rejeitado. Alguns futuristas vão ao ponto de dizer que as sete igrejas da Ásia se reorganizarão e se restabelecerão no final dos tempos, quando então as predições que lhe dizem respeito serão cumpridas – um modo totalmente desnecessário e irracional de ver as coisas. </p>
<p class="calibre2">A objeção tantas vezes ouvida, que é estranho tenros em nosso Novo Testamento um livro que, na maior parte, contém assuntos relacionados w final dos tempos, não se mantém de pé quando se recorda o fator fundamental relacionado com as profecias básicas de longo alcance das Escrituras, a saber, que desde os tempos primitivos elas apontam para o seu cumprimento no final dos tempos. Não é o que acontece com a primeira profecia da Bíblia – "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn. 3:15)? Não é esta uma profecia da vitória messiânica que ainda aguarda seu cumprimento final? A extensa profecia de Jacó em Gênesis 49 refere-se aos "últimos dias" conforme diz. Repetidas vezes no Livro de Daniel, somos informados de que suas profecias se referem ao "fim" (7:26; 9:26, 27; 11:13, 27; 12:8, 13). O discurso que nosso Senhor fez nas Oliveiras não aponta diretamente para o fim dos tempos e a futura Segunda Vinda de Cristo? (Mt. 24:3,14; também suas parábolas proféticas, como, por exemplo, Mt. 13:39, 40). O mesmo acontece com Paulo falando aos tessalonicenses com referência ao homem do pecado; a narrativa de Pedro sobre a apostasia dos últimos dias; a grande profecia escatológica de Paulo em lI Timóteo 3, e todo o corpo das profecias no conhecido capítulo da ressurreição, I Coríntios 15. Todas estas passagens requerem interpretação futurista. Não seda nada irracional que a Bíblia concluísse com um livro de profecias, as quais, na sua maioria, fossem cumpridas na grande e final consumação desta dispensação – o fim da revolta contra Deus, e o começo de uma era de justiça pela qual todos os homens justos anseiam. </p>
<p class="calibre2">É claro que em cada um destes sistemas de interpretação existe um pouco de verdade. Os três primeiros capítulos devem ser interpretados historicamente. Há grandes princípios espirituais apresentados nos juízos, nas promessas, nas profecias e nas vitórias messiânicas deste livro. Na maioria, entretanto, o Apocalipse será mais corretamente interpretado se for adotado o esquema futurista. </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Apocalipse e a Literatura Apocalíptica. </b> Quando o dom da verdadeira profecia cessou com Malaquias no Velho Testamento, cerca de 400 A.C., desenvolveu-se dentro da comunidade judia uma literatura da qual uma parte é chamada de apocalíptica. Esta literatura foi escrita em linguagem simbólica e descritiva. Foi composta, na maioria, em tempos de perseguição, especificamente nos dias de Antíoco Epifânio, no segundo século, antes de Cristo, como também no primeiro século desta era, quando o povo hebreu viu a destruição de sua santa cidade. A literatura apocalíptica é, principalmente, escatológica. Ela se concentra naqueles acontecimentos futuros quando os inimigos de Israel e do Senhor serão destruídos, e Israel mesma será restaurada à sua glória antiga. </p>
<p class="calibre2">O Apocalipse do Novo Testamento é inteiramente diferente, em seu todo, da literatura apocalíptica precedente. Como George Ladd destacou bem: 1) O autor designou o seu livro como uma profecia (1:3; 22:7; etc.), e o livro é portanto o produto do espírito profético. 2) João não toma o nome de algum grande profeta do passado de Israel, mas usa o seu próprio nome. 3) João não narra a história passada sob o disfarce de profecia, mas olha profeticamente dentro do próprio futuro. 4) O livro de João, embora cheio de passagens negras e agourentas, não transmite um espírito de pessimismo, como muitos dos livros apocalípticos fazem, mas de otimismo, pois o vidente constantemente reitera a grande verdade de que Cristo conquistará todos os inimigos, e que os reinos deste mundo se transformarão no reino de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 5) Finalmente, o Apocalipse insiste com seus leitores sobre as grandes exigências éticas. Aqui há uma grande urgência moral. A salvação não é algo automaticamente conferido mas algo que será dado àqueles que trazem sobre si os sinais dos verdadeiros filhos de Deus (G. E. Ladd: "Apocalyptic, Apocalypse", no <i class="calibre3">Baker's Dictionary of Theology</i>, 1960, pág. 50-54). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">É Necessário um Estudo Prolongado para se Entender este </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Livro. </b> Por causa do seu simbolismo, sua saturação com as passagens e temas do Velho Testamento, os vários esquemas de interpretação que se desenvolveram em relação a este livro através dos séculos, e a profundidade e vastidão dos assuntos que nela são revelados, eu creio que o Apocalipse, mais do que qualquer outro livro da Bíblia, revelará seu significado só àqueles que lhe dedicarem estudo prolongado e cuidadoso. O Professor William Milligan desafia-nos com estas palavras: "O livro está aqui e, ou nós o excluímos do N.T., ou a Igreja deve continuar lutando por compreendê-lo até que tenha sucesso. Observação: 1. Em primeiro lugar, partamos da suposição – uma suposição que não é negada por nenhum daqueles aos quais estas palestras são dirigidas – que a Revelação de S. João é parte da Palavra de Deus. Esta consideração resolve todo o problema. O simples fato de um livro ter sido dado pelo Todo-Poderoso ao homem constitui em obrigação para o homem esforçar-se em compreendê-lo. Pode ser difícil fazê-lo. Podemos ser derrotados por muito tempo. Nem por isso vamos nos esforçar menos; usando de todos os instrumentos que estão a nossa disposição, e vigiando, se ainda nos sentimos nas trevas, pelos primeiros sintomas de luz. Nada é mais certo do que isso, se não fosse obrigação nossa que usássemos este livro, o exaltado Redentor não o teria dado por revelação ao Seu servo João" ( <i class="calibre3">Lectures On the Apocalypse</i>, pág. 4). </p>
<p class="calibre2">Muitos estudantes, antes e a partir de Lange, expressaram a mesma esperança pronunciada em 1870: "Sem dúvida, no futuro, a importância e a influência deste Livro vai constantemente aumentar com o aumento da confusão e desalento dos tempos, com o aumento do perigo que oferecem à fé sadia e sóbria ( <i class="calibre3">Revelation</i>, pág. 63). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Texto. </b> Os tradutores do passado responsáveis pela Versão "King James" ( <i class="calibre3">Authorized Version of the New Testament</i>) tomaram por base o texto grego conforme idealizado por Erasmo. Para o Apocalipse, Erasmo só tinha um manuscrito grego, um cursivo do século XIII, e até mesmo este era de qualidade inferior. Por esse motivo há muitas palavras e passagens na A.V, que não repousam sobre manuscritos mais antigos e mais dignos de crédito. Desde então os grandes manuscritos gregos do Novo Testamento, tais como o Sinaiticus, o Alexandrino, etc., têm se tomado conhecidos e foram devidamente estudados. Conseqüentemente, para todos os propósitos de estudos sérios do Apocalipse, deve-se usar a R.V, de 1891, ou alguma versão posterior. (O grande valor do atualmente famoso Papiro Chester Beatty do Apocalipse, provavelmente do começo do terceiro século, não requer considerações em nosso necessariamente breve comentário). </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">O Esboço do Livro. </b> Muitos e diferentes esquemas têm sido apresentados para o arranjo ou classificação dos vinte e dois capítulos do Apocalipse, alguns inteiramente fantásticos. É de minha opinião que tais esquemas que tentam estabelecer um esboço com base nos sete setes deste livro são forçados e artificiais. Assim, por exemplo, é o esboço de Benjamin Warfield: as sete igrejas (1:1 – 3:22); os sete selos (4:1 – 8:1); as sete trombetas (8:2 – 11:19); as sete figuras místicas (12:1 – 14:20); as sete taças (15:1 – 16:21); o juízo sétuplo da meretriz (17:1 – 19:10), e a trombeta sétupla (19:11 – 22:5). Todos concordariam que quatro dessas divisões são inescapáveis: as sete igrejas, o livro dos sete selos, as sete trombetas, e as sete taças do juízo. Mas o conceito do <b class="calibre1">sete</b> não se encontra nas outras seções. Depois de estudar este volume durante anos, finalmente eu me apercebi de um esboço, o qual, creio eu, não é forçado, e no entanto é fácil de recordar. Deixando de lado o prólogo (1:1-8) e o epílogo (22:6-21), o livro pode ser logicamente dividido assim: </p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">ESBOÇO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2">I. As cartas às sete igrejas da Ásia. 1:9 – 3:22. </p>
<p class="calibre2">II. O livro com os sete selos e os acontecimentos terrenos que ele anuncia. 4:1 – 6:17. </p>
<p class="calibre2">III. Os juízos anunciados pelas sete trombetas. 7:1 – 9:21. </p>
<p class="calibre2">IV. A hora mais negra da história universal. 10:1 – 13:18. </p>
<p class="calibre2">V. As sete taças do juízo. 14:1 – 16:21. </p>
<p class="calibre2">VI. Babilônia e Armagedom. 17:1 – 19:21. </p>
<p class="calibre2">VII. O Milênio; o Juízo Final; a Nova Jerusalém e a Eternidade. 20:1 – 22:5. </p>
<p class="calibre2">Observe que esta divisão se encaixa na seguinte seqüência de grupos de capítulos - 3 - 3 - 3 - 4 - 3 - 3 - 3. </p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">COMENTÁRIO </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">I. As Cartas às Sete Igrejas. 1:1- 3:22. </b></p>
<p class="calibre2"></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">Apocalipse 1 </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">1:1-8. </b> Embora a idéia exata de <i class="calibre3">cartas</i> às sete igrejas não se encontre realmente no capítulo 1, no versículo 4 temos a frase, <b class="calibre1">João, às sete </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">igrejas que se encontram na Ásia, </b> e mais adiante (v. 11) João recebe a ordem de escrever o que ele vê e enviá-lo às sete igrejas. A localização das sete igrejas é examinada no comentário do capítulo 2. </p>
<p class="calibre2">O capítulo 1 contém uma revelação rica, quase ofuscante do próprio Jesus Cristo. Os versículos 4-8 apresentam três descrições básicas de Cristo. Parece que João descreve o Cristo que ele conhece, pois não há nenhuma indicação de que ele recebesse aqui alguma revelação especial. </p>
<p class="calibre2">Este é o Cristo do passado, do presente e do futuro, conforme apresentado na frase, <b class="calibre1">daquele que é, que era, e que há de vir</b> (v. 4). No passado, Cristo foi a <b class="calibre1">fiel testemunha</b> e <b class="calibre1">o primogênito dos mortos</b>; no presente, Ele é <b class="calibre1">àquele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados</b> (v. 5); no futuro, <b class="calibre1">vem com as nuvens e todo olho o verá ... e todas as </b></p>
<p class="calibre2"><b class="calibre1">tubos da terra se lamentarão sobre ele</b> (v. 7). A declaração de que Cristo nos constituiu <b class="calibre1">reino, sacerdotes para o seu Deus</b> (v. 6) é a declaração básica de Êx. 19:6, séculos mais tarde citada por Pedro (I Pe. </p>
<p class="calibre2">2:5, 9). A passagem referindo-se ao futuro tem dupla referência no V.T.: em Dn. 7:13 o Filho do homem é descrito vindo com as nuvens, e o fato de que todos o verão está em Zc. 12:10, 12. A palavra aqui traduzida para <b class="calibre1">traspassaram</b> aparece em outra passagem do N.T. apenas em Jo. </p>
<p class="calibre2">19:37 (cons. Zc. 12:10). </p>
</body></html>